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Economia

Alckmin diz que argumento de trabalho forçado para tarifaço é descabido

De acordo com o vice-presidente, o governo defende a continuidade das negociações com o Executivo americano e o apoio aos setores afetados

Redação Jornal de Brasília

24/07/2026 14h56

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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

PAULO RICARDO MARTINS
FOLHAPRESS


O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) disse nesta sexta-feira (24) que o Brasil tem uma das legislações trabalhistas mais avançadas do mundo e que a nova tarifa impostas pelo governo Trump é descabida e “não faz sentido”.

“Imagine o quanto é descabido isso: o [argumento de] trabalho forçado. O Brasil tem uma das legislações mais avançadas do mundo de proteção aos trabalhadores. Estamos votando o fim da [escala] 6×1”, afirmou Alckmin a jornalistas durante visita à fábrica da Avibras em Jacareí (SP).

Ainda de acordo com o vice-presidente, o governo defende a continuidade das negociações com o Executivo americano e o apoio aos setores afetados.

Alckmin informou também que o presidente Lula ainda decidirá se o Brasil aplicará a Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos.

“O presidente, no momento adequado, vai tomar a decisão. Ela tem um caminho mais longo porque isso envolve audiências públicas”, afirmou.

Os Estados Unidos começaram a aplicar uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros a partir desta sexta-feira (24). A nova taxa é resultado de uma investigação sobre falhas no combate à importação de produtos feitos com o uso de trabalho forçado.

Na quarta-feira (22), uma taxa de 25% já havia entrado em vigor após investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana sobre práticas de comércio consideradas injustas.

As taxas afetam itens de diversos setores, incluindo máquinas agrícolas, madeira processada, etanol, papel e vestuário. Segundo cálculos da Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil), as tarifas de 12,5% atingem o correspondente a US$ 12,5 bilhões em exportações anuais aos EUA. Para 85,3% dessas vendas, equivalentes a US$ 10,7 bilhões, seus efeitos devem ser cumulativos com as tarifas de 25%, resultando em uma taxa de 37,5%.

Durante a visita à Avibras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que está feliz pelo acordo celebrado entre a Avibras, empresa brasileira de defesa, e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, que possibilitou a retomada das atividades da companhia.

A empresa retomou as atividades, em maio deste ano. A companhia produz mísseis, foguetes, veículos e lançadores espaciais civis, entre outros.

Sob crise financeira, a Avibras passou cerca de três anos paralisada depois que funcionários iniciaram uma greve por falta de pagamento.

O acordo assinado entre o sindicato e a Avibras determina o pagamento da dívida trabalhista em forma de indenização social. O débito está acumulado desde 2022 e soma R$ 230 milhões, segundo o sindicato.

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