O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, defendeu nesta segunda-feira (9/3) a ampliação do comércio, dos investimentos e da cooperação produtiva entre Brasil e África do Sul, na abertura do Fórum Empresarial Brasil-África do Sul, em Brasília.
Alckmin destacou a importância estratégica da relação entre os dois países e o potencial de expansão do comércio bilateral. “O presidente Lula atribui uma importância enorme à África do Sul e ao continente africano. Nosso intercâmbio comercial ainda é relativamente modesto, mas já no ano passado aumentamos 11,6% a corrente de comércio, comparado a 2024”, afirmou.
Ele defendeu a revisão do acordo de comércio preferencial entre o Mercosul e a União Aduaneira da África Austral, bloco que inclui África do Sul, Botswana, Lesoto, Namíbia e Suazilândia. “Menos de 10% do nosso comércio é beneficiado pelas preferências tarifárias do acordo. Queremos ampliar as linhas tarifárias”, disse. O acordo, em vigor desde 2016, contempla cerca de mil linhas tarifárias com preferências comerciais.
O vice-presidente também ressaltou o potencial de cooperação em investimentos e integração de cadeias produtivas em setores estratégicos, como energia, minerais críticos, transições digital e energética, e agronegócio. “Queremos promover investimentos e integrar cadeias produtivas em setores estratégicos. Estamos em negociações avançadas para um acordo de cooperação e facilitação de investimentos”, concluiu.
Alckmin mencionou investimentos mútuos já existentes, com empresas brasileiras como Petrobras, JBS, BRF, Tramontina, Marcopolo e WEG presentes na África do Sul, e capital sul-africano atuando em mineração, infraestrutura, transporte e fábricas no Brasil. No setor aeronáutico e de defesa, destacou a complementaridade das indústrias, com a África do Sul possuindo a maior frota de jatos da Embraer no continente. No ano passado, a Embraer firmou acordo com a estatal sul-africana para parceria industrial.
Pela manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, em encontro bilateral no Palácio do Planalto. A agenda da visita incluiu compromissos institucionais no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal.
Brasil e África do Sul mantêm Parceria Estratégica desde 2010. No atual mandato, Lula visitou o país em 2025, para a 20ª Reunião de Cúpula do G20, e em 2023, para a 15ª Cúpula do BRICS, além de visitas anteriores em 2003, 2007 e 2010.
O fluxo comercial bilateral alcançou US$ 2,3 bilhões em 2025. As exportações brasileiras foram lideradas por carnes de aves e suas miudezas (16,2%), açúcares e melaços (8,3%) e veículos rodoviários (6,9%). As importações, por prata, platina e outros minerais do grupo da platina (53,9%).
A relação se beneficia de canais como BRICS, IBAS, G20 e a Organização Mundial do Comércio. O principal mecanismo bilateral é a Comissão Mista Brasil-África do Sul, criada em 2002, com grupos de trabalho sobre economia, comércio, turismo e cooperação multilateral.
Durante reuniões preparatórias para a visita, representantes dos dois países discutiram opções para aprofundar a parceria, incluindo ampliação da cobertura do acordo Mercosul-SACU ou elevação para livre comércio.