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Economia

Ala econômica do governo diz não ter pressa em anunciar novos diretores do BC

Auxiliares de Lula têm dito que o melhor é esperar para indicar os diretores para não tumultuar ainda mais o cenário, dando munição para a oposição neste momento de pressão sobre o governo

Redação Jornal de Brasília

18/03/2026 16h01

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil Versão em áudio

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

ADRIANA FERNANDES
FOLHAPRESS

Não há pressa na área econômica para a indicação ao Senado Federal dos dois novos diretores do Banco Central.

A combinação do escândalo do Banco Master e os vazamentos da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do INSS, que envolveram informações sob sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), turvaram ainda mais o ambiente político para a aprovação dos nomes para a cúpula do BC.

Os postos vagos eram ocupados pelos diretores Diogo Guillen, de Política Econômica, e Renato Gomes, de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, cujos mandatos terminaram em 31 de dezembro. Nesta quarta (18), o Copom (Comitê de Política Monetária) decidirá o futuro da taxa básica de juros, hoje em 15% ao ano, desfalcado.

Auxiliares de Lula têm dito que o melhor é esperar para indicar os diretores para não tumultuar ainda mais o cenário, dando munição para a oposição neste momento de pressão sobre o governo.

Há também preocupação com o risco de novos vazamentos atingirem pessoas próximas ao governo Lula.

O presidente já enfrenta resistências à indicação de Otto Lobo para a direção da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Como interino do órgão desde julho, Lobo tomou decisões que favoreceram Daniel Vorcaro, dono do Master.

Há pressão para que Lula desista dessa indicação nas próximas semanas, o que é esperado por executivos de grandes empresas, após as descobertas das fraudes do Master que passaram ao largo dos controles da CVM.

Além disso, o clima é ruim entre o Executivo e o Senado desde que Lula indicou Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal).

De acordo com um ministro do governo que falou na condição de anonimato, não se espera que a indicação de Lula para o Banco Central ocorra antes da saída do ministro da Fazenda Fernando Haddad para concorrer nas próximas eleições.

Haddad vai deixar o governo federal nesta sexta-feira (20), quando está prevista a publicação da sua exoneração do cargo. O petista deve fazer uma pausa de dez dias antes de mergulhar de vez na pré-campanha ao governo de São Paulo, como mostrou a Folha de S. Paulo.

Na quinta-feira (19), o chefe da Fazenda deve comunicar a decisão à imprensa ao lado do presidente Lula, durante evento em que os dois participarão no estado. Será o lançamento informal da candidatura de Haddad.

No início de fevereiro, o ministro tornou público que indicou ao presidente Lula os nomes do secretário de Política Econômica da Fazenda, Guilherme Mello, e do professor em Cambridge Tiago Cavalcanti.

O nome de Mello não foi bem recebido pelo mercado financeiro, que viu na escolha de Haddad uma tentativa do governo petista de interferir nas decisões do BC sobre os juros. Havia uma expectativa do governo Lula de que a taxa começasse a cair no final do ano passado ou no mais tardar em janeiro, o que não aconteceu.

O cenário ficou mais complicado com o impacto na economia mundial da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

A primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) em 2026, realizada em 27 e 28 de janeiro, manteve a taxa Selic em 15% ao ano. A reunião desta quarta já é a segunda do ano sem a diretoria completa.

Um integrante do governo disse que não faz sentido correr o risco de queimar as indicações dado o clima no Senado e com os holofotes voltados para o caso Master. Uma pergunta que tem sido feita dentro do governo é a seguinte: qual a necessidade de expor os nomes dos dois diretores indicados no meio dessa batida que acontece no Senado?

Ao contrário de Haddad, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, tem mantido sigilo sobre os nomes de sua preferência. Ele tem em mãos o poder de fazer uma dança das cadeiras dentro da diretoria para diminuir o impacto de uma eventual escolha para a Diretoria de Política Econômica, a mais importante, caso queira.

O colegiado do BC tem hoje oito cargos de diretor mais o presidente da autarquia. O presidente do BC escolhe em qual cadeira cada diretor vai sentar. Essa é a regra prevista no decreto 91.961, de 1985. O regimento interno do BC repete esse preceito.

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