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Economia

Ações de Petrobras, varejistas e bancos disparam após Flávio Bolsonaro abrir vantagem sobre Lula no 1º turno

Entre as principais ações, Petrobras (PETR4) avançava 9,09%, a R$ 55,88, e Vale tinha queda de 2,69%, a R$ 70,16

Redação Jornal de Brasília

05/10/2026 13h02

files brazil oil petrobras

Foto: AFP

JÚLIA GALVÃO
FOLHAPRESS


A Bolsa operava em forte alta nesta segunda-feira (5), após o resultado do primeiro turno das eleições colocar o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Por volta das 12h30, o Ibovespa subia 8,47%, aos 208.380 pontos, enquanto o dólar recuava 4,41%, a R$ 4,98.

Entre as principais ações, Petrobras (PETR4) avançava 9,09%, a R$ 55,88, e Vale tinha queda de 2,69%, a R$ 70,16.

Segundo Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, o desempenho negativo da Vale, na contramão de outras empresas, pode ser explicado pelo fortalecimento do real, que reduz o valor, em reais, das receitas obtidas no exterior. “Como ela é exportadora e quase toda a receita dela é em moeda estrangeira, a pressão cambial acaba atrapalhando um pouco”, afirma.

O mesmo efeito pode ser observado em outras empresas exportadoras, como Embraer, WEG e Suzano.

Por volta das 12h35, as ações de varejistas registravam fortes altas. Magazine Luiza subia 24,97%, a R$ 9,50; C&A avançava 20,97%, a R$ 12,46; Azzas ganhava 11,31%, a R$ 21,75; e Lojas Renner tinha alta de 18,37%%, a R$ 13,94.

Os bancos, que têm peso relevante no Ibovespa, também tinham forte valorização. No mesmo horário, Banco do Brasil subia 12,77%, a R$ 26,72; Bradesco avançava 14,14%, a R$ 21,95; e Itaú Unibanco tinha alta de 10,82%, a R$ 49,68.

Antes da abertura do mercado brasileiro, os ADRs (recibos de ações de empresas negociados nas bolsas dos Estados Unidos) e os papéis de companhias brasileiras já registravam fortes altas em Nova York.

A perspectiva de uma mudança de governo trouxe otimismo a parte dos investidores, que esperam uma agenda de ajuste fiscal na próxima administração. Um cenário de maior controle das contas públicas poderia contribuir para uma queda mais rápida dos juros e favorecer ativos de renda variável. A composição do Congresso, com maior presença de parlamentares de direita e centro-direita, também é apontada por analistas como um fator favorável à agenda econômica.

Os ADRs da Petrobras chegaram a subir quase 10% antes da abertura. Às 6h45 (horário de Brasília), os papéis avançavam 9,93%, a US$ 23,80, ante US$ 21,65 no fechamento de sexta-feira (2). No mesmo horário, o ADR da Vale subia 6,03%, a US$ 14,59, e o da Embraer avançava 5,72%, a US$ 79,51.

Os recibos de ações dos bancos também tinham fortes altas. Às 7h, os ADRs do Itaú Unibanco subiam 12,4%, a US$ 9,66, enquanto os do Bradesco avançavam 11,93%, a US$ 4,08.

O MSCI Brazil EWZ, ETF que replica o desempenho do mercado acionário brasileiro, subia 11,89% em Nova York, 14% em Frankfurt e 12% em Tóquio. Entre as empresas brasileiras negociadas nos Estados Unidos, Nubank avançava 10,2%, XP subia 15% e JBS tinha alta de 2,57%, perto das 7h.

Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, a perspectiva de um novo arcabouço fiscal, com nomes como Daniela Marques em uma eventual equipe econômica, levou o mercado a antecipar uma trajetória mais controlada para a dívida pública. Esse movimento provocou forte queda dos juros futuros e, segundo ele, ajudou a sustentar a valorização das ações.

O especialista cita como exemplo o contrato de DI com vencimento em janeiro de 2031, cuja taxa recuou de 14% para 12,85%. A queda dos juros futuros reduz o custo de oportunidade dos investimentos em ações e também a taxa usada para calcular o valor presente dos lucros das empresas, o que tende a favorecer os preços dos papéis.

Segundo o especialista, bancos, empresas cíclicas e companhias mais dependentes da atividade econômica estão entre as beneficiadas pelo movimento. Os bancos são favorecidos pelos juros futuros menores e por uma percepção de menor pressão sobre a inadimplência de empresas e pessoas físicas, afirma.

Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos, afirma que a expectativa já era de alta da Bolsa para o começo do dia, mas pondera que o Ibovespa já vinha subindo na última semana, o que indica que parte desse movimento pode ter sido antecipada. Assim, a abertura pode ser forte, mas seguida de realização de lucros e de um dia mais volátil.

O especialista diz que, daqui em diante, o mercado deve acompanhar as alianças para o segundo turno, os nomes que podem compor uma eventual equipe econômica e as propostas dos candidatos para o controle da dívida pública e o equilíbrio fiscal. O segundo turno será realizado em 25 de outubro.

O BTG Pactual projeta que, se Flávio Bolsonaro vencer, as ações brasileiras poderiam voltar rapidamente à sua média histórica de dez anos, o que implicaria um potencial de ganho entre 11% e 20%.

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