FOLHAPRESS
As ações da Petrobras e de outras petrolíferas brasileiras desabam nesta quarta-feira (8), em linha com a queda internacional do petróleo. O movimento é inverso ao da Bolsa brasileira, que se beneficia de um maior apetite por ativos de risco e renovou recorde durante o pregão.
A desvalorização da commodity ocorre após a trégua entre Estados Unidos e Irã, firmada na última terça-feira (7), e a normalização da passagem de navios pelo estratégico estreito de Hormuz a partir desta manhã.
Por volta das 12h, as ações preferenciais da Petrobras, que garantem prioridade no recebimento de dividendos, caíam 6,47%, a R$ 50,07. Na mínima do pregão, os papéis atingiram R$ 48,69, queda de 9,09%.
No acumulado desde o começo da guerra, em 28 de fevereiro, até o fechamento da terça-feira (7), as ações registram alta de 25,78%.
A desvalorização também atingia Prio (queda de 6,01%), Brava Energia (-3,99%) e PetroRecôncavo (-3,97%).
Na terça-feira, após afirmar que “uma civilização inteira morrerá nesta noite” e ameaçar obliterar a infraestrutura civil do Irã, Donald Trump recuou e aceitou uma proposta mediada pelo Paquistão para um cessar-fogo de duas semanas na guerra iniciada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel.
O presidente norte-americano disse que a decisão se baseou no compromisso de que o Irã reabra o estreito de Hormuz durante a trégua. Teerã afirmou que permitirá a passagem de navios por duas semanas “em coordenação com as Forças Armadas”, segundo publicação na rede Truth Social.
Há, contudo, incertezas. O Irã condicionou a reabertura do estreito à interrupção dos ataques por parte de Israel e dos Estados Unidos. Nesta quarta-feira, Israel realizou o maior ataque a instalações do Hezbollah no Líbano, o que levou Teerã a ameaçar abandonar o cessar-fogo.
Nesse ambiente, o tráfego de navios no estreito permanece reduzido.
Nos pregões recentes, os papéis do setor petrolífero se valorizaram com a disparada do petróleo. A interrupção do estreito de Hormuz por onde passam cerca de 20% do fluxo global de petróleo e gás natural liquefeito foi responsável pela valorização.
O choque de oferta, considerado sem precedentes, tem se traduzido em uma crise energética que pressiona tanto a commodity quanto seus derivados. No acumulado do ano, as ações preferenciais da Petrobras registravam alta de 64,44%, considerando o fechamento da última terça-feira.