O Plano Real, approved que hoje comemora 15 anos, there mexeu com a vida de todos os brasileiros. Criado em uma época em que a inflação do País chegava a mais de 1.000% ao ano, patient chegou com o objetivo de controlar a hiperinflação. A variação de preços acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre 1º de julho de 1994, data da estréia da atual moeda, e maio deste ano é 244,86%. Pode parecer muito, mas não se comparado aos 14 anos e meio anteriores ao lançamento do real. De janeiro de 1980 (início da coleta do IBGE) a julho de 1994, a inflação no País pelo IPCA foi de 11.252.275.628.119%. Isso mesmo: 11 trilhões, 252 bilhões, 275 milhões, 628 mil, 119 por cento.
Nos últimos 15 anos também houve ganho real do salário mínimo. O menor rendimento legal a ser pago no País se valorizou 564% no período, mais que o dobro da inflação e também acima da alta da cesta básica. Segundo José Carneiro, professor de economia da Universidade Católica de Brasília (UCB), a característica mais importante do Plano Real nesses 15 anos é o controle da inflação. “O plano também previa a redução dos gastos do governo, porém isso não ocorreu até hoje”, ressalta José Carneiro.
“A parcela mais pobre da população é a maior prejudicada quando há inflação violenta. O pobre não tem acesso aos mecanismos de proteção e correção monetária, assim fica com os recursos desvalorizados, o que agrava a concentração de renda”, completa.
Reflexo Cultural
Vander Mendes Lucas, professor de Economia da Universidade de Brasília (UnB), defende que o aumento da renda nos últimos 15 anos não é exatamente um mérito do Plano Real, mas reflexo natural do crescimento econômico durante o período. “A partir do controle da inflação, o Brasil teve a oportunidade de investir em programas para reduzir as desigualdades sociais, o que infelizmente não foi feito”, critica.
Mas, na opinião do professor da UnB o balanço dos 15 anos de real é positivo para o país. “Hoje, podemos olhar com mais clareza para onde é preciso investir mais e onde investir menos. Na época da inflação eram tantos números confusos que não havia referência adequada de como o dinheiro era aplicado”, recorda.
O professor de Finanças das Faculdades Fiap e Módulo Marcos Crivelaro aponta o aumento da renda dos brasileiros como a maior conquista do Plano Real. Contudo, ressalta que o País precisa de mudanças para se desenvolver ainda mais. “A estabilidade econômica melhorou a vida dos brasileiros. São 15 anos com a mesma moeda”, avalia.
O planejamento do Plano Real começou em 1993, com o Programa de Ação Imediata (PAI), que tinha as primeiras medidas para enfrentar a hiperinflação. Diferente dos anteriores, o Plano Real não se baseou no congelamento de preços e salários e também não estabeleceu uma nova moeda, de imediato.
Primeiro foi criada a Unidade Real de Valor (URV) para desvincular os preços do Cruzeiro Real e, em seguida, foi convertida diretamente para o Real, que teve sua primeira emissão em 1º de julho de 1994. O impacto na inflação foi imediato e o índice ficou em 18,57% de julho a dezembro daquele ano.
15 anos da mudança econômica
Antes do Plano Real, o cenário da economia brasileira era alarmante, segundo economistas. Em 1992, apenas quatro países em todo mundo tiveram inflação superior a 1.000% – Rússia, Ucrânia, Zaire e Brasil.
Este foi o principal motivo que levou a equipe econômica do presidente Itamar Franco, liderada pelo então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, que depois chegou à presidência da República, a apresentar mais uma proposta para reorganizar a política fiscal e monetária do país, apesar de terem visto experiências anteriores frustradas.
Desde 1986 até a implantação do Plano Real, o brasileiro já tinha visto seis
planos econômicos darem errado. Por isso, em 1º de julho de 2009, o Plano Real
completa 15 anos com missão cumprida – a inflação foi controlada no país.
Como o real afetou a sua vida?
Com a estabilidade, veio a TV colorida
O taxista João Leite Borges, 32 anos, morador de Ceilândia, ainda era adolescente quando o Plano Real foi implementado. “Lembro que naquela época meus pais estocavam as compras do mês em casa. Faziam isso porque os preços aumentavam muito rápido. Dinheiro na mão era como uma bomba-relógio. No dia seguinte, o que a gente tinha poderia perder o valor pela metade. As moedas não valiam nada. O troco das coisas era caixa de fósforos e balinhas”, recorda. O taxista avalia que a vida da família melhorou com a chegada da nova moeda. “Em 1995, compramos a primeira televisão da casa. Era nova, colorida, de 14 polegadas. Quando era adolescente lembro que o país trocava de plano toda hora, não havia estabilidade. Os bancos tinham que carimbar as notas do plano anterior pois não dava tempo de substituir todas as cédulas antigas”, conta.
Compras eram feitas para o mês inteiro
A estudante Andreane Alves da Silva, 20 anos, moradora de Santa Maria, viveu a maior parte da vida na era do Plano Real. “Estudei, na escola, que o Real veio para acabar com a inflação”, conta. “Minha mãe diz que naquela época fazia as compras para o mês inteiro. Acho que foi daí que surgiu esse hábito e até hoje algumas pessoas estocam as coisas, mesmo com a inflação controlada. Minha mãe diz que uma desvantagem do Real é que a poupança rende pouco em comparação a antes”, completa.
Sem coragem de poupar novamente
O aposentado João Ferreira, 84 anos, morador de Taguatinga, considera que o Plano Real ajudou a melhorar a vida das classes menos abastadas. “Atualmente os trabalhadores assalariados de maneira geral têm um poder de compra muito maior que antes. Vejo isso pela minha empregada, que comprou uma casa, geladeira e máquina de lavar recentemente. Isso seria impensável há 20 anos”, admite. João lembra, ainda, que, antes do Plano Real, desconfiava da economia brasileira. “Quando perdi toda minha poupança na época do Collor levei alguns anos sem coragem de poupar novamente”, relembra João. “Hoje em dia me sinto mais feliz com a estabilidade. Se ainda houvesse aquela velha inflação não sei como compraria meus remédios. Outra diferença, hoje em dia, são os programas como o Bolsa Família. Hoje as coisas estão melhores”, complementa.
Maior conforto em casa
O estudante Mairon Santos, morador de São Sebastião, tem praticamente a mesma idade do Plano Real, 15 anos. Mairon revela que, quando quer comprar alguma coisa, junta o dinheiro pelo tempo necessário sem se preocupar com aumento dos preços. “Não sei o que significa a palavra inflação. Pelo que meus pais contam, a situação da nossa família melhorou desde que nasci, passamos a ter mais conforto em casa”, afirma ele, que não conhece nenhum outro plano econômico brasileiro além do Real.