GUILHERME TAGIAROLI
FOLHAPRESS
A Prefeitura de São Paulo contrariou as próprias regras ao permitir o desfile no pré-Carnaval de um megabloco que não havia sido aprovado em anos anteriores. Bancado pela patrocinadora do carnaval paulistano, o desfile do bloco Skol, com o DJ Calvin Harris, teve tumulto na rua da Consolação no domingo.
Em um guia com regras para a folia, a Prefeitura de São Paulo deixou claro que não permitiria novos blocos no pré e no pós-Carnaval. “Não serão aceitas novas inscrições para os períodos do pré e pós-Carnaval em nenhuma região da cidade”, diz o documento “Guia de Regras e Orientações do Carnaval de Rua de 2026”, publicado em setembro de 2025. Logo, nessas datas, só poderiam desfilar blocos aprovados em anos anteriores.
Tradicionalmente, o domingo de pré-Carnaval é marcado pelo desfile do Acadêmicos do Baixo Augusta.
O bloco, que está em seu 17º desfile de pré-Carnaval, costuma levar mais de 1 milhão de pessoas às ruas.
O bloco Skol, com o DJ Calvin Harris, que não desfilou no ano passado, foi incluído para desfilar antes do Acadêmicos do Baixo Augusta no domingo de pré-Carnaval. O bloco do DJ escocês é patrocinado pela Skol, cujo grupo controlador, a Ambev, patrocina o Carnaval da cidade de São Paulo. O bloco contou ainda com os cantores Nattan, Xand Avião, Zé Vaqueiro e Felipe Amorim, atraindo uma multidão.
Desmaios e tumultos foram registrados no bloco do DJ, e houve atraso no bloco seguinte. Um plano de contingência da prefeitura foi acionado para lidar com a multidão.
Teve empurra-empurra, vandalismo e várias pessoas passando mal. Foliões acabaram destruindo grades da Escola Paulista da Magistratura, que fica na rua da Consolação, devido à superlotação. A Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo da Capital instaurou uma sindicância na segunda-feira para apurar o caso.
Como o UOL mostrou, a Prefeitura de São Paulo foi questionada dias antes sobre a estrutura do pré-Carnaval na rua da Consolação. No dia 30 de janeiro, a vereadora Marina Bragante (Rede) enviou pedido de informações à prefeitura demonstrando preocupação com os desfiles do bloco Skol e do Acadêmicos do Baixo Augusta na Consolação. Ela citou as grandes dimensões e o potencial de público dos eventos. Em resposta, a gestão afirmou que adotaria medidas de segurança e logística para o evento.
Questionada sobre ter contrariado as próprias regras, a Prefeitura de São Paulo não respondeu. No entanto, disse que o bloco foi “seguido por milhares de pessoas” e que o “plano de contingência foi acionado” devido à superlotação. As seis pessoas que passaram mal durante o bloco foram levadas para hospitais da região e já foram liberadas, segundo a prefeitura. A Ambev informou que não se pronunciaria sobre o caso.
Após os incidentes, a prefeitura diz que vai tomar novas medidas de segurança. Ainda em nota, a Secretaria Especial de Comunicação afirma que haverá reposicionamento de postos de saúde e que na região do Ibirapuera haverá novas áreas de saída, para facilitar o trânsito de foliões.
Prefeitura de SP contraria própria regra ao liberar bloco que teve tumulto
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