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Conheça a história do diplomata que se formou pelo Prouni

Filho de diarista e pedreiro, o jovem de 31 anos superou origens humildes e conquistou vaga no Itamaraty com bolsa integral do programa.

Redação Jornal de Brasília

29/01/2026 13h31

diplomata

Foto: Lula Lopes/MEC

De uma infância com poucos recursos no entorno de Brasília a uma posição de destaque no serviço público federal. Assim pode ser resumida a história do diplomata Douglas Rocha Almeida, de 31 anos. Nascido no Distrito Federal e criado em Luziânia (GO), ele estudou em escolas públicas e acessou a educação superior por meio de uma bolsa integral do Programa Universidade para Todos (Prouni), do Ministério da Educação (MEC).

“O Prouni me trouxe até aqui, ele mudou a minha vida. O programa não só abriu portas para a entrada na universidade, ele possibilitou várias oportunidades a partir disso. Ele transformou a minha realidade, como vem transformando a de muitos brasileiros e brasileiras”, celebra Douglas.

Com a bolsa integral do Prouni, Douglas se formou em Relações Internacionais em uma universidade particular. Ele também cursou Letras – Espanhol em uma universidade pública federal e aprendeu inglês e francês em uma instituição pública no DF. Seu currículo inclui um mestrado pela Escola Superior de Guerra, do Ministério da Defesa (MD), financiado por bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), vinculada ao MEC.

Na trajetória, ele recebeu a Bolsa-Prêmio de Vocação para a Diplomacia, uma ação afirmativa do Instituto Rio Branco em parceria com órgãos como o Ministério da Igualdade Racial (MIR), que concede R$ 30 mil para financiar estudos preparatórios de candidatos negros ao Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD).

Foram quatro anos e meio de preparação para o concurso, de maio de 2023 a janeiro de 2024. Nesse período, pôde se dedicar integralmente aos estudos graças à bolsa. “Eu estudei cerca de 12 horas líquidas por dia, o que às vezes significava passar 15 ou 16 horas em frente ao computador. Então, sobrava pouco tempo para comer, para dormir”, conta.

Ao longo do trajeto, enfrentou dificuldades, incluindo o luto pela morte de uma irmã em 2017. Mas o esforço pessoal aliado às políticas públicas levou aos resultados desejados. “A transformação da realidade via educação era algo que a gente ouvia, mas não via. Na época, a gente escutava de uma forma muito distante que as realidades mudavam por conta disso, mas a gente nunca tinha tido, até então, uma experiência próxima de alguém que mudou de vida por meio da educação. E, de certa forma, eu fui o primeiro”, ressalta o diplomata.

Desde os 15 anos, Douglas conciliou estudo e trabalho, como garçom até os 27 anos e em festas infantis, sempre com apoio da família, especialmente da mãe, a diarista Dona Cida. Atualmente, seus planos incluem ajudar financeiramente a mãe para que ela não precise mais fazer faxinas e alcance a independência financeira.

Os estudantes interessados em mudar sua trajetória como Douglas têm até as 23h59 (horário de Brasília) desta quinta-feira, 29 de janeiro, para se inscrever no processo seletivo do 1º semestre de 2026 pelo Portal Único de Ensino Superior.

Com 594.519 bolsas, essa é a maior oferta da história do Prouni, sendo 274.819 integrais (100%) e 319.700 parciais (50%). Do total, 393.119 são para cursos a distância e 16.408 para semipresencial; 328.175 para bacharelado e 253.597 para cursos tecnológicos. Administração (63.978) e Ciências Contábeis (41.864) somam o maior número de bolsas.

Criado em 2004 e instituído pela Lei nº 11.096/2005, o Prouni oferece bolsas de estudo em instituições privadas para estudantes brasileiros sem diploma de nível superior, ocorrendo duas vezes ao ano.

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