A um mês do primeiro dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), candidatos e professores têm intensificado estratégias de preparação que priorizam a revisão do conteúdo já estudado, a resolução de questões e a realização de simulados.
No Gama, no Distrito Federal, a estudante Rafaela de Araújo Caldas, de 17 anos, vai fazer o Enem pela primeira vez e quer uma vaga em um curso superior na área de computação. Com apoio dos pais, ela concilia o ensino regular com aulas online de um cursinho preparatório até a noite, mas afirma que respeita os limites físicos e o cansaço. Na reta final, diz que tem focado em entender como funciona a prova, identificar padrões das questões e definir o que é mais importante estudar. A redação também ocupa lugar central na preparação.
Professor de língua portuguesa e espanhola do Centro de Ensino Médio 1 do Gama, Diogo Andrade avalia que ainda há tempo para avançar na preparação. Com 14 anos de experiência, ele defende que, neste momento, os estudantes devem se dedicar a simulados, à resolução de provas anteriores e à busca por conteúdos de maior recorrência histórica no exame. Segundo o docente, a escola vem promovendo provas multidisciplinares bimestrais que reproduzem regras e logística do dia da avaliação, com correção da redação conforme os critérios do Enem. A unidade também grava podcasts educativos sobre temas do exame e prevê a realização de aulões de revisão entre o fim de outubro e o início de novembro.
Ao comentar a prova de redação, Diogo orienta os alunos a dominarem o tema e a evitarem fórmulas prontas encontradas na internet, que, segundo ele, não enganam os avaliadores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Nas questões objetivas, o professor aconselha não deixar itens em branco, mas também rejeita a estratégia de chutar. Ele lembra ainda que o Enem usa a Teoria de Resposta ao Item (TRI), metodologia que analisa cada questão de acordo com seu grau de dificuldade e a coerência das respostas do candidato.
Entre os estudantes da escola, Gabriel Queiroz, de 18 anos, diz que a experiência como treineiro no ano passado ajudou a entender a logística da prova e a gestão do tempo. Agora, ele busca uma vaga na licenciatura em língua portuguesa e afirma que matemática é sua maior dificuldade. Gabriel dedica cerca de 8 a 9 horas por dia aos estudos, com videoaulas no YouTube e resolução de questões de edições anteriores. Nos fins de semana que antecedem o exame, planeja aumentar a carga horária, sem descuidar do controle emocional.
Os participantes também podem consultar orientações oficiais, tutoriais de preparação e cronogramas do processo em um site lançado pelo Ministério da Educação, o Guia do Enem.