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Brasil

Wellington Dias destaca saída do Brasil do Mapa da Fome em conferência da FAO

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social enfatizou políticas públicas baseadas em evidências e cooperação internacional durante o evento em Brasília.

Redação Jornal de Brasília

04/03/2026 20h49

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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, destacou a saída do Brasil do Mapa da Fome e os avanços alcançados no combate à insegurança alimentar. A declaração ocorreu durante um painel da 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe (LARC 39), realizada em Brasília.

Dias afirmou que o país reverteu o cenário de fome e pobreza encontrado no início do governo Lula, graças à prioridade dada ao tema. A saída do Mapa da Fome, anunciada em julho do ano passado pela FAO, resultou de decisões políticas firmes. “Fome não se combate apenas com técnica, mas com decisão política. E essa foi a primeira decisão do presidente Lula. A ordem dada a mim e a toda a equipe é ninguém passar fome em nosso país”, reforçou o ministro.

Ele enfatizou que os resultados derivam de políticas públicas estruturadas e baseadas em evidências científicas, com retomada da produção de dados e fortalecimento do monitoramento para superar lacunas informacionais. “Sem diagnóstico e evidência, não há política pública eficaz”, apontou.

O debate contou com representantes do Chile, Uruguai, Caribe, México, Guiana, Cuba, República Dominicana e Costa Rica, que compartilharam ações e programas eficazes contra a fome e a pobreza, adaptados à realidade de cada nação.

Na agenda da tarde, Dias reuniu-se com o diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, para discutir a integração de trabalhos da ONU no combate à fome, destacando o papel da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza em um cenário de conflitos internacionais. “A Aliança é um caminho, claro, em que se trabalha com todos os países, todas as regiões, onde países já desenvolvidos ajudam com conhecimento, ajudam financeiramente, ajudam com créditos e também respeitando a soberania de cada país”, disse o ministro, que é copresidente da iniciativa.

O Brasil apresentou sugestões ao documento final da conferência, focando na ampliação da resiliência de grupos vulneráveis, no acesso à ciência, tecnologia e inovação para adaptação climática e na promoção de governança participativa, garantindo voz à sociedade nas políticas alimentares da região.

A América Latina e o Caribe registraram avanços nos últimos quatro anos, com queda consecutiva na fome e na insegurança alimentar moderada ou grave, redução da pobreza, pobreza extrema e desigualdade, além de aumento do emprego e reajustes salariais mínimos, segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). Esses resultados foram impulsionados pela melhora no mercado de trabalho, manutenção dos fluxos de comércio de alimentos e fortalecimento dos sistemas de proteção social, incluindo programas de alimentação escolar.

Apesar dos progressos, desafios persistem: cerca de 33,6 milhões de pessoas passam fome na região, 167,2 milhões enfrentam insegurança alimentar moderada ou grave e 181,9 milhões não conseguem custear uma alimentação saudável. Desigualdades afetam especialmente mulheres e moradores de áreas rurais.

Para Qu Dongyu, as ações devem ser inclusivas, centradas nas pessoas, alcançando os mais pobres, pequenos produtores rurais, povos indígenas, mulheres e vulneráveis. “Diante de todos esses desafios, devemos lembrar de um princípio simples: podemos fazer mais e (trabalhar) melhor juntos. Podemos transformar esses desafios em oportunidades, em benefício para todos”, afirmou o representante da FAO.

A LARC 39 é o principal fórum regional da FAO para definir prioridades e alinhar estratégias no biênio 2026-2027 contra a fome e a má nutrição, reunindo ministros, autoridades e representantes de países da região em debates sobre segurança alimentar, agricultura sustentável e cooperação regional.

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