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Brasil

Virna conquista primeira medalha e já pensa na Olimpíada

Arquivo Geral

13/11/2006 0h00

A medalha de prata na etapa de João Pessoa (PB) do Circuito Brasileiro de vôlei de praia, conseguida domingo, chegou em um momento no qual a própria Virna considerava o desempenho de sua dupla na temporada já definido. Em seu primeiro ano como jogadora na areia, a medalhista olímpica em vôlei de quadra considerou a experiência bastante produtiva e, apesar de ainda se considerar uma aprendiz, não esconde que tem planos para representar o país nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008.

Parceira da experiente Sandra, campeã olímpica em Atlanta-96 e bronze em Sydney-2004, Virna reconhece que os Jogos Pan-americanos Rio 2007 – uma de suas metas quando trocou de modalidade – são carta fora do baralho em suas expectativas, e muda o foco para um objetivo um pouco mais distante.

"Este Pan é praticamente impossível (para nós). A meta agora é a Olimpíada. Estou muito bem com a Sandra que é como minha professora e diz que como aluna me dá nota 7", avalia Virna.

A temporada de estréia teve altos e baixos, o mais marcante deles a virose que enfrentou entre junho e julho. A doença obrigou-a a ficar 40 dias parada e acabou interrompendo sua evolução. "Este é um ano de aprendizagem, jogar na areia é muito mais difícil", compara a atleta, que ficou 20 anos na seleção brasileira.

Entre as principais dificuldades, ela destaca os deslocamentos na areia, que exigem toda uma técnica no andar. O sol e o vento, que provoca muita flutuação na bola, também não facilitam. "São pequenas malícias que ainda não tenho. É como se estivesse começando uma vida nova".

As mudanças, garante, não têm reflexo apenas no aspecto profissional. Feliz com a nova fase, Virna garante que sua qualidade de vida melhorou. A prova está nos dois joelhos. "Tinha artrose e precisava tomar sedativo direto. Agora jogo praticamente sem dor nenhuma". A nova ocupação também lhe permitiu realizar um projeto antigo e ela cursa o primeiro ano da faculdade de jornalismo.

Apesar disso, a ex-ponta destaca que a vida não é nada fácil para os atletas da praia. "Os treinos são muito mais puxados, mais desgastantes". A competitividade também é um desafio. "O Brasil tem hoje cinco, seis duplas em condições de lutar por medalhas", lembra, destacando as parcerias formadas por Larissa e Juliana, Renata e Talita, Adriana Behar e Shelda e Maria Clara e Carolina.

Longe das quadras há 1 ano e oito meses, seu último jogo oficial foi pelo Chieri no Campeonato Italiano, Virna ainda acompanha a antiga modalidade. De olho no Mundial, ela considera que a seleção brasileira é uma força, mesmo não sendo favorita isolada.

"Há pouco tempo soube que o vôlei é o segundo esporte no país e isso me deixou muito contente. Todo esse sucesso é resultado de um trabalho de anos, que começou com a geração de prata (Los Angeles-84), com Isabel e de uma estrutura fantástica de trabalho".

Pensando em sua trajetória nas quadras, ela não se arrepende da decisão de migrar para a praia. "Quando parei tinha a convicção de que era a hora certa". Isso não significa que não tenha sobrado uma pontada de amargor da última olimpíada.

"Até hoje não consegui ver a fita", confessa a atacante, lembrando do jogo contra a Rússia quando a seleção desperdiçou sete match points e ficou fora da briga pelo ouro. "A última Olimpíada é uma dor que até hoje não curei. Era a única que a gente tinha convicção de ser campeã. Mas, de repente, o time não teve tranquilidade, audácia para definir. A gente fica triste".

Na quadra, Virna foi titular na conquista das medalhas olímpicas de bronze em Atlanta-96 e Sydney-2000. Ela também foi campeã do Grand Prix-98.

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