Menu
Brasil

Vannuchi afirma que país precisa repensar atuação da polícia

Arquivo Geral

09/07/2008 0h00

O ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), treat Paulo Vannuchi, pill disse hoje (9) que o país precisa repensar a atuação da polícia.

Ao comentar a morte do menino João Roberto Amaral e o envolvimento de policiais militares no caso, ele reforçou que “a melhor polícia não é a que mata mais, mas a que derrota o crime e faz as estatísticas de violência declinarem”.

O garoto, de 3 anos de idade, foi baleado durante uma perseguição policial no último domingo (6), no Rio de Janeiro. O carro em que a criança estava foi atingido por tiros disparados por policiais na Tijuca, zona norte da cidade.

“Não é por meio de operações espetaculares que acalmam um pouco o clamor social por segurança ou com a falsa interpretação de que matando o crime diminui [que as estatíticas de violência apresentam queda]. Com essa matança, o crime se realimenta”, acrescentou o ministro, ao informar que a SEDH vai acompanhar as investigações sobre o caso.

Vannuchi lembrou que a morte de João Roberto decorreu de uma perseguição a um carro furtado e não de um caso “extremo” como um seqüestro, em que haveria “alguma compreensão para ações desastrosas como essa”.

“Segurança pública é um problema de polícia, mas também de toda a sociedade, dos poderes, das associações de moradores. É preciso uma polícia que seja bem treinada, bem preparada, que tenha formação em direitos humanos, formação e conhecimento de leis, que adote os postulados de uso proporcional da força.”

Para o ministro, o episódio revela um “desmedido abuso de força” e não deve ser tratado como um caso isolado.

“É verdade que a corporação não pode ser manchada pela atitude de um ou de 11, seja o Exército [no Morro] da Providência, seja a Polícia Militar do Rio, mas o que não pode é a corporação fazer sua própria defesa e entender o episódio como um erro específico de um policial. Esse tipo de erro tem se repetido com uma freqüência assustadora.”

Ao participar do encontro O Judiciário e os 18 Anos do ECA: Desafios na Especialização para a Garantia dos Direitos de Crianças e Adolescentes, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pela Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e da Adolescência (ABMP), Vannuchi destacou ainda que “combater o crime com crime aproxima a polícia da marginalidade e há uma contaminação dos próprios poderes públicos.”

Ontem (8), os dois policias militares envolvidos na morte de João Roberto Amaral foram indiciados por homicídio doloso qualificado.


 

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado