A companhia brasileira de mineração Vale, viagra maior exportadora mundial de minério de ferro, mantém seu otimismo apesar da crise financeira internacional e não deve modificar seus planos de investimento, disse hoje o diretor financeiro da companhia, Fábio Barbosa.
O atual ciclo de aumento da demanda e dos preços dos metais está ancorado em fundamentos de longo prazo, afirmou Barbosa no seminário “Cenários da Economia Brasileira e Mundial”, da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da Federação de Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).
“Apesar das turbulências não revisamos nossos planos de investimento a longo prazo”, disse Barbosa.
Estes planos incluem investimentos de US$ 59 bilhões, até 2012, em 30 grandes projetos, seis dos quais entrarão em operações este ano.
“Nossa visão é positiva porque fundamentalmente entendemos que apesar do ajuste forte e da desaceleração no Ocidente o mundo vai continuar crescendo no longo prazo”, comentou.
Em sua análise, Barbosa explicou que nos últimos cinco anos houve uma mudança estrutural nos padrões de crescimento da economia mundial, cujo Produto Interno Bruto (PIB) se expandiu em média 4,7% entre 2003 e 2007 com uma forte participação das economias emergentes.
A China, um dos países emergentes, aumentou substancialmente sua participação no PIB mundial graças a sua própria demanda interna, com grandes investimentos em habitação, urbanização e bens duráveis.
Nos próximos 15 anos, o país asiático se propõe a melhorar as condições de vida de 300 milhões de pessoas com investimentos maciços que garantem um forte demanda de aço e outros metais, destacou Barbosa.
“É fundamental entender o que acontece com a China, que é muito menos vulnerável à economia americana que as pequenas economias asiáticas”, disse.
Há cinco anos a produção mundial de aço era de 786 milhões de toneladas e em 2007 chegou a US$ 1,34 bilhão de toneladas.
Desse total, quase 600 milhões de toneladas correspondem à China, que há cinco anos produzia apenas 180 milhões de toneladas, destacou.
“A China segue um processo de desenvolvimento de longo prazo e está bem posicionada para crescer inclusive frente a uma desaceleração global”, afirmou o diretor da Vale.
As previsões de Vale indicam que o gigante asiático crescerá em torno de 10,4% em 2008 e se desacelerará em torno de 8,0% entre 2009 e 2010.
Barbosa destacou que os preços internacionais dos minerais costumam se antecipar à desaceleração mundial, mas desta vez continuam firmes apesar do esfriamento da economia dos Estados Unidos.
Para Barbosa, isso ocorre pelo fato de que a atual oferta mundial de minério não consegue acompanhar a demanda que cresce rapidamente, empurrada pela própria China, Índia e outros emergentes, entre eles o próprio Brasil, observou.