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Brasil

USP desenvolve bateria recarregável de nióbio funcional de 3 volts

Tecnologia patenteada pela universidade estabiliza o metal em ambientes reais, superando desafios de degradação e avançando para testes industriais.

Redação Jornal de Brasília

14/01/2026 7h37

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Universidade de São Paulo (USP) anunciou o desenvolvimento de uma bateria recarregável de nióbio que atinge 3 volts e opera em condições reais, fora do laboratório ideal. O projeto, liderado pelo professor Frank Crespilho, do Instituto de Química de São Carlos (IQSC/USP), resolveu o principal obstáculo da tecnologia: a degradação do nióbio em ambientes eletroquímicos convencionais, especialmente na presença de água e oxigênio.

Inspirado em sistemas biológicos, como enzimas e metaloproteínas, o grupo criou uma proteção inteligente chamada NB-RAM (Niobium Redox Active Medium), que controla o ambiente químico para permitir mudanças de estado eletrônico sem degradação do metal. “A natureza resolve esse problema há bilhões de anos”, destacou Crespilho, pesquisador do Instituto Nacional de Eletrônica Orgânica e Sustentabilidade (INCT), sediado no Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP).

A pesquisadora Luana Italiano, da USP, dedicou dois anos ao refinamento do sistema, testando dezenas de versões para garantir estabilidade, reprodutibilidade e equilíbrio entre proteção e desempenho elétrico. “Não bastava fazer a bateria funcionar uma única vez; nosso foco foi o controle fino dos parâmetros”, explicou ela. O protótipo já demonstra funcionamento em formatos industriais, como células tipo coin e pouch, em parceria com o pesquisador Hudson Zanin, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A tecnologia foi patenteada pela USP e representa um avanço para inovações brasileiras em eletrônicos sustentáveis. Crespilho enfatiza a necessidade de um centro multimodal de pesquisa, envolvendo governos, universidades e startups, para levar o projeto à fase final. “O Brasil pode liderar tecnologias, desde que a ciência seja prioridade nacional”, afirmou o professor.

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