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Um mês após chuvas devastadoras, famílias da Zona da Mata Mineira enfrentam luto e reconstrução

Moradores de Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa lidam com perdas materiais, problemas psicológicos e atrasos em auxílios, apesar das medidas anunciadas pelos governos local, estadual e federal

Redação Jornal de Brasília

21/03/2026 12h19

juiz de fora

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Há um mês, chuvas intensas na Zona da Mata Mineira causaram 73 mortes, sendo 65 em Juiz de Fora e 8 em Ubá, além de enchentes e deslizamentos de terra que afetaram milhares de famílias em municípios como Matias Barbosa.

As famílias enfrentam luto profundo, perdas materiais e falta de apoio adequado. Em Juiz de Fora, o Parque Jardim Burnier, um bairro de baixa renda em encosta, registrou 22 mortes. Cláudia da Silva, de 71 anos, perdeu 20 parentes e relata dificuldades psicológicas, com um sobrinho de 16 anos no CTI após amputar uma perna. Sua casa foi interditada pela Defesa Civil, mas ela se recusa a deixá-la, sentindo-se abandonada pelos órgãos públicos.

Maria da Conceição Couto Almeida, de 62 anos, também do Jardim Burnier, alterna entre a casa da filha à noite e o imóvel interditado durante o dia para limpeza. Ela enfrenta agravamento da ansiedade e problemas com diabetes, sem ainda receber auxílio financeiro apesar de cadastros na prefeitura. Nilton Angelo de Gusmão, serralheiro de 60 anos no mesmo bairro, perdeu contratos de trabalho e luta para pagar contas básicas.

A Prefeitura de Juiz de Fora registrou 6.690 ocorrências desde 23 de fevereiro, com fevereiro de 2024 sendo o mais chuvoso da história, acumulando 763,8 mm de precipitação. Mais de 8,5 mil pessoas ficaram desabrigadas, com 1.008 moradias destruídas. Até 19 de março, 170 famílias estavam em hotéis, e o auxílio calamidade municipal será creditado em 23 de março para famílias no CadÚnico. A rede escolar retomou em 101 unidades, mas cinco permanecem fechadas.

Em Ubá, a prefeitura oferece abrigo, alimentação e apoio psicológico, com 1.188 famílias desalojadas e 4.790 pessoas afetadas. Duas famílias ainda estão em abrigo municipal. Foram solicitados R$ 55 milhões ao governo federal para recuperação, e vistorias priorizam a liberação de imóveis seguros.

Matias Barbosa, sem perdas graves como desabamentos, impactou mais de 300 famílias e 80% do comércio. Um projeto de lei para auxílio financeiro está em definição, e visitas técnicas identificaram necessidades de contenção de encostas. Uma UBS foi danificada, com unidades móveis atendendo a população.

O governo federal destinou quase R$ 2 bilhões em ações, incluindo o Auxílio Reconstrução de R$ 7,3 mil por família, Compra Assistida do Minha Casa Minha Vida com subsídio de até R$ 200 mil, antecipação de abono salarial para 92,2 mil pessoas, saques do FGTS (R$ 165 milhões em Juiz de Fora e R$ 38 milhões em Ubá) e R$ 55 milhões para emergências via Defesa Civil. Outros repasses incluem R$ 14,9 milhões para saúde e R$ 4,56 milhões para educação.

O Governo de Minas Gerais não respondeu aos pedidos sobre ações e investimentos para as famílias afetadas.

Com informações da Agência Brasil

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