Sorocaba, 18s – Uma pesquisa paleontológica revelou um novo crocodilo predador vivendo entre dinossauros no interior de São Paulo, há 85 milhões de anos. O réptil ancestral media 4 metros e disputava as presas com dinossauros carnívoros. O estudo inédito identificou a presença de quatro grupos de crocodilos coexistindo no interior paulista no Período Cretáceo (165 a 66 milhões de anos). Os dados apontam que, apesar do domínio dos dinossauros, a fauna crocodiliana era mais intensa e variada do que se imaginava.
Os fósseis foram descobertos em setembro de 2008 pela bióloga e pedagoga Angélica Fernandes dos Santos, a “Gelca”, durante prospecção no município de Ibirá. Só agora em 2025, porém, revisitando centenas de fósseis da região de São José do Rio Preto, especialmente dos municípios de Cedral, Ibirá e Monte Aprazível, os paleontólogos conseguiram identificar os grupos, cada um com suas adaptações ecológicas.
Também conseguiram identificar um conjunto de características distintas em um fóssil, indicando tratar-se de nova espécie dos Itassuquídeos, que batizaram como Ibirassuchus gelcae. As descobertas foram publicadas no Journal of the South American Earth Sciences, revista de ciências internacional, com o título em inglês referindo-se aos crocodiliformes da formação São José do Rio Preto, bacia de Bauru, no Cretáceo Superior (entre 100,5 milhões e 66 milhões de anos).
De acordo com o paleontólogo Fabiano Iori, que liderou o estudo, aos poucos a pesquisa vem conseguindo reconstruir o cenário que predominava neste período remoto no interior de São Paulo, com a paleofauna e suas interações ecológicas.
Ainda são necessários estudos para definir como vivia e do que se alimentava o Ibirassuchus, mas Iori acredita que, pelo aspecto do crânio se tratava de um animal que emboscava suas presas. “Poderia ser de hábitos alimentares mais generalistas, incluindo na dieta peixes, tartarugas, animais que estivessem na beira de rios. É de uma linhagem que acabou extinta.”
O estudo propõe que esses grupos tinham seus ambientes preferenciais, segundo paleontólogo. “Nas terras mais altas viviam os esfagesaurídeos, que eram predados pelos baurussuchideos, os grandes crocodilos predadores terrestres. Nesse cenários, tínhamos também como predadores de topo os dinossauros carnívoros, que buscavam presas tanto nas partes mais terrestres, como nas margens de rios.” Os crocodilos ancestrais conviviam também com os grandes titanossauros (dinossauros pescoçudos), que quase não tinham predadores na fase adulta. Próximos aos rios dominavam os Itassuquídeos, que se assemelhavam às formas mais atuais.
Estadão Conteúdo