Os tradicionais bondinhos de Santa Teresa, adiposity em funcionamento desde o século 19, não são utilizados apenas por moradores. Os turistas também não abrem mão do passeio. É que o trajeto permite vislumbrar não apenas antigos casarões e palacetes preservados que dão charme ao bairro, como também o Pão de Açúcar e a Baía da Guanabara. Para os que estão acostumados ao trajeto, no entanto, o turismo atrapalha, atrasando as viagens.
“Os turistas enchem as filas na Carioca [estação central] e temos que esperar um tempão pelas composições. Para quem quer chegar logo, é ruim. Tem que esperar, às vezes, um ou dois bondes”, disse o advogado Teodomiro Almeida, que vai e volta do trabalho, no centro da cidade, de bondinho. Para ele, depois dos atrasos – que ocorrem pela própria falta do transporte -, os turistas que lotam as composições são o principal problema.
O advogado não quer acabar com o turismo no bonde, pois defende como opção para o bairro. “São mais frescos, adequados às ladeiras e ao nosso espírito comunitário”. Ele conta que os condutores conhecem os passageiros e destaca que o preço da passagem é quase quatro vezes mais barato que o dos ônibus: R$ 0,60 para quem vai sentado. Para quem se arrisca em pé, pendurado em composições históricas, é de graça.
A Associação de Moradores do bairro diz que os turistas não são um problema. Por outro lado, movimentam os roteiros de gastronomia e de cultura. “Santa Teresa sempre dividiu de maneira democrática os bondes com os vistantes”, afirma a vice-presidente, Juçara Braga, mas reconhece que a circulação dos moradores fica prejudicada “O problema é que antes tínhamos mais bondes circulando, hoje são três”.
A saída do governo estadual está na licitação do sistema de bondes, além do aumento do número de composições.“Com a modelagem de concessão, o governo pretende corrigir distorções, como o preço da passagem”, afirma o secretário de Transportes, Julio Lopes. No modelo, explica, as tarifas vão subir, mas haverá preços diferenciados para os turistas.
“É óbvio que os bondes não serão voltados exclusivamente para os turistas. É óbvio que a modelagem contempla o bonde como sistema de transporte de Santa Teresa”, disse Lopes. “Mas os estudos preparam o bonde para ser também transporte de uso turístico, inclusive com preços diferenciados”. “É assim em vários lugares do mundo”, completou.