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Brasil

Tunisiano denuncia suposto esquema de tráfico de drogas em SP, e Justiça pede deportações

Homem afirmou ter descoberto uma operação internacional de tráfico de maconha e se recusou a fazer o transporte e, por isso, passou a ser ameaçado de morte e intimidado

Redação Jornal de Brasília

25/09/2026 18h05

Foto: Reprodução/PCSP

PAULO EDUARDO DIAS
FOLHAPRESS


Um homem tunisiano relatou a policiais civis de São Paulo ter sido agredido e tido seu passaporte tomado e não devolvido por compatriotas após se recusar a ajudá-los em um esquema de tráfico internacional de drogas.

Dois suspeitos de agressão e ameaça foram presos. Eles passaram por audiência de custódia nesta sexta-feira (25), e o juiz expediu ofício ao Ministério da Justiça para avaliar a viabilidade de deportação ou expulsão de ambos do território brasileiro.

De acordo com a Polícia Civil, a vítima procurou o 42º DP (Parque São Lucas), na zona leste de São Paulo, na quinta-feira (24), para relatar a situação de vulnerabilidade em que se encontrava. Como não fala português, um aplicativo de tradução foi usado no atendimento. Ele contou estar no Brasil há três meses, para onde veio com a intenção de trabalhar como ajudante geral em uma lanchonete no bairro da Liberdade, no centro da capital paulista, onde já trabalhavam dois compatriotas.

A vítima passou a morar na mesma residência que os dois homens e uma outra pessoa. Algum tempo depois, diz que descobriu que os dois compatriotas estavam envolvidos no tráfico de drogas, principalmente maconha, por meio de uma rota internacional que passava por Marrocos, países da Europa e o Brasil —no território nacional, o trajeto ocorria entre São Paulo e o Rio de Janeiro.

Segundo o relato do homem, enquanto morou na residência, presenciou o uso e a distribuição de drogas no imóvel. Parte das pessoas ali era recrutada para transportar entorpecentes por meio da ingestão ou da introdução das substâncias no próprio corpo, prática conhecida como “mula”. Os envolvidos também eram estrangeiros.

Ele contou à polícia que, há cerca de uma semana, foi chamado a transportar um material cujo conteúdo não soube explicar. Ele se recusou a fazer o transporte e, por isso, passou a ser ameaçado de morte e intimidado. Os companheiros chegaram a mostrar imagens em que apareciam portando armas de fogo, o que aumentou seu temor. Diante disso, ele deixou a residência e passou a planejar o retorno à Tunísia.

Como tinha valores a receber pelo tempo trabalhado na lanchonete —dinheiro que usaria para comprar a passagem—, foi ao local na quarta-feira (23). Lá, porém, encontrou três homens, sendo dois com quem havia dividido moradia. Segundo relatou, foi agredido com socos, chutes e um aparelho que emite choques elétricos.

Durante a agressão, segundo o relato, o passaporte da vítima foi tomado pelo trio e não devolvido. Ele também afirmou ter sido ameaçado de morte. Aproveitando um momento de distração dos suspeitos, conseguiu fugir e entrar em um ônibus. Um dos homens o perseguiu e chegou a embarcar no coletivo, mas teve que descer por não ter dinheiro para pagar a passagem.

Segundo a vítima, ele entrou em contato com dois dos agressores para pedir a devolução do passaporte, mas não teve o pedido atendido.

Após tomar conhecimento do caso, policiais civis prenderam dois dos três homens apontados como responsáveis pela agressão e pelas ameaças à vítima.

Investigadores foram até o imóvel, mas não encontraram drogas ou armas no local. Os passaportes dos dois foram apreendidos, assim como o do dono da lanchonete, que não é citado como um dos agressores.

Também foram apreendidos uma máquina de cartão de crédito, uma porção de substância com características aparentes de maconha, dois aparelhos celulares e um notebook.

A vítima, que pretendia pedir asilo no Brasil, agora planeja retornar o quanto antes ao país de origem, de acordo com o boletim de ocorrência.

O caso foi registrado pela Polícia Civil como associação para o tráfico, resistência, desobediência, ameaça, constrangimento ilegal e lesão corporal.

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