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Brasil

Trabalho análogo à escravidão atinge majoritariamente homens negros no Brasil

Balanço de 2025 do Ministério do Trabalho revela que 86% dos resgatados são homens e 83% negros, com 68% das ocorrências em áreas urbanas pela primeira vez.

Redação Jornal de Brasília

28/01/2026 17h27

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Foto: Sérgio Carvalho

O balanço das ações de combate ao trabalho escravo contemporâneo em 2025, realizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), aponta profundas desigualdades raciais e sociais no Brasil. Do total de trabalhadores resgatados, 86% são homens e 83% se autodeclaram negros (pretos ou pardos), evidenciando a desproporcional afetada da população negra em contextos de vulnerabilidade.

O perfil das vítimas mostra concentração na faixa etária de 30 a 39 anos, com 65% residindo na região Nordeste, especialmente no Maranhão. Quanto à escolaridade, 68% têm baixa instrução, 24% completaram o ensino médio e 8% são analfabetos, ligando o problema à pobreza e exclusão educacional.

A diretora do Departamento de Fiscalização do Trabalho, Dercylete Loureiro, destacou que esse perfil reflete vulnerabilidades históricas, com muitos resgatados, principalmente no trabalho doméstico, em condições análogas à escravidão por décadas, inclusive desde a infância. O aparente aumento nos números deve-se ao aprimoramento das fiscalizações, que agora alcançam áreas antes invisibilizadas, reforçando a necessidade de políticas de reinclusão social e laboral.

Pela primeira vez, 68% dos resgates ocorreram em áreas urbanas, superando os rurais. As fiscalizações identificaram exploração em setores como construção civil, administração pública, indústria, mineração ilegal, agricultura e trabalho doméstico.

A coordenadora-geral de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Análogo ao de Escravidão e do Tráfico de Pessoas, Shakti Borela, enfatizou que os dados representam vidas violadas e que os resultados vêm de atuação articulada do Estado, envolvendo Inspeção do Trabalho, Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União (DPU), Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF), além de organizações civis. Isso fortalece a identificação de vítimas, responsabilização de exploradores e garantia de direitos pós-resgate.

Os dados foram apresentados em evento pelo Dia do Auditor-Fiscal do Trabalho e Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. A ocasião homenageou auditores-fiscais mortos na Chacina de Unaí há 22 anos, reafirmando o compromisso com a dignidade humana e direitos trabalhistas, apesar da persistência dessa violação extrema.

*Com informações do Ministério do Trabalho e Emprego

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