O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) manteve a prisão preventiva do prefeito e da primeira-dama de Turilândia, acusados de desvio de R$ 56 milhões em recursos públicos. A decisão foi proferida nessa terça-feira (12) pela desembargadora Graça Amorim, da 3ª Câmara Criminal do TJ-MA, contrariando um pedido de liberdade provisória apresentado pelo procurador-geral de Justiça do estado, Danilo José de Castro Ferreira.
A operação policial, denominada Tântalo II, foi deflagrada em 22 de dezembro de 2025 e resultou na prisão de vários envolvidos no suposto esquema de desvio de verbas. Entre os detidos estão o prefeito Paulo Curió, que cumpre pena no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís; a primeira-dama Eva Curió; a ex-vice-prefeita Janaina Soares Lima; o marido dela, Marlon de Jesus Arouche Serrão; e o contador da prefeitura, Wandson Jhonathan Barros.
O episódio ganhou contornos de crise interna no Ministério Público do Maranhão (MP-MA) com a exoneração coletiva de dez promotores que integram o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). O ato, ocorrido no domingo (11), foi uma reação ao parecer do procurador-geral favorável à soltura dos investigados, que, segundo os promotores, divergia do entendimento técnico-jurídico do grupo e enfraquecia o combate ao crime organizado.
No pedido de exoneração, os promotores destacaram que a posição da Procuradoria-Geral produzia impactos negativos na credibilidade das investigações e na efetividade das medidas cautelares. Em resposta, o procurador-geral emitiu uma nota afirmando que as exonerações em cargos administrativos são eventos naturais e não comprometem as ações estratégicas. Ele enfatizou que as medidas adotadas observam a Constituição Federal e a legislação vigente, aplicando prisões apenas quando estritamente necessárias.
Diante da crise, Danilo José de Castro Ferreira nomeou o procurador de Justiça Haroldo Paiva de Brito para coordenar o Gaeco e a Coordenadoria de Assuntos Estratégicos e Inteligência (CAEI), garantindo a continuidade dos trabalhos. A nota reafirma o compromisso do MP-MA com o combate à criminalidade e a defesa do patrimônio público, sempre com equilíbrio e respeito às leis.
Na decisão judicial, a desembargadora Graça Amorim determinou prisão domiciliar com monitoramento eletrônico apenas para a pregoeira do município, Clementina de Jesus Pinheiro Oliveira, diagnosticada com câncer de útero, considerando sua condição de saúde. As informações foram retiradas da Agência Brasil.