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Brasil

Terminal da Cargill em Santarém segue fechado em meio a protestos

Terminal da Cargill em Santarém segue ocupado por indígenas que protestam contra dragagem nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins

Redação Jornal de Brasília

23/02/2026 14h20

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Foto: EFE/Sebastiao Moreira

FOLHAPRESS

As operações no terminal portuário fluvial da Cargill em Santarém, no Pará, permanecem paralisadas na manhã desta segunda-feira (23), já que manifestantes indígenas continuam a ocupar as instalações, informou a assessoria de imprensa da trading norte-americana de grãos.

Os manifestantes ocupavam a entrada da Cargill desde 22 de janeiro em protesto contra o projeto, assinado pelo presidente Lula (PT), que inclui dragagem nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins. Ao longo dos dias, o número de pessoas no ato aumentou e chegou a 1.200, segundo a organização.

Na sexta-feira (20), os funcionários da Cargill foram forçados a evacuar o terminal privado, aumentando as tensões entre os grupos locais e a empresa devido aos planos de dragagem dos rios para escoar produtos em rios da Amazônia.

No mesmo dia, indígenas e representantes de grupos sociais também protestaram em frente ao escritório da Cargill na zona sul de São Paulo. O ato foi em apoio aos povos da região do Tapajós, no Pará.

Documentos da Semas (Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade) do governo do Pará, do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) apontam impactos considerados “significativos” a partir de dragagem no Tapajós.

Entre esses impactos estão alteração da qualidade da água, assoreamento do leito do rio, prejuízo à pesca, alteração de rotas de transporte usadas por comunidades ribeirinhas e indígenas, risco de insegurança alimentar nessas comunidades e alteração em ciclos de reprodução da tartaruga-da-amazônia, numa área que é a segunda maior em reprodução da espécie.

No começo de fevereiro (13), a Justiça Federal acatou pedido da Cargill e determinou a desocupação forçada, no prazo de 48 horas, de vias de acesso ao complexo portuário da cidade, onde fica a sede da empresa. O MPF (Ministério Público Federal) recorreu e conseguiu derrubar a decisão. Contudo, no domingo (15), o recurso do MPF foi anulado, e a determinação da Justiça voltou a valer.

Em uma nova decisão, na tarde da última quinta (19), a Justiça reforçou o prazo de 48 horas para a saída dos manifestantes, o que levou o MPF interpor novamente um recurso, alegando que a medida ignora ritos obrigatórios de mediação e coloca em risco a integridade física dos manifestantes.

O projeto de hidrovias já foi alvo de protestos na COP30, conferência do clima das Nações Unidas realizada em novembro em Belém. Na ocasião, as ministras Sônia Guajajara e a Marina Silva, do Meio Ambiente, afirmaram que a consulta prévia com as comunidades seria feita. Contudo, a promessa até agora não foi cumprida.

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