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Brasil

Tempestade não era das intensas

Arquivo Geral

07/06/2009 0h00

Imagens de satélite feitas no momento em que o Airbus realizava o voo AF447 na noite de domingo indicam que a tempestade enfrentada pelo A330 não foi mais grave do que o normal. A afirmação foi feita pela Méteo France, salve órgão de meteorologia que auxilia nas pesquisas realizadas pelo Escritório de Investigações e Análises sobre a Aviação Civil (BEA).

De acordo com imagens registradas às 23h15 – o minuto seguinte ao momento em que se presume tenha ocorrido a queda do Airbus –, a temperatura no interior da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) era de cerca de -82ºC. Essa temperatura era mais elevada do que o verificado nas piores ZCITs formadas na região equatorial, o que significa que a tempestade não era a mais violenta que as que os voos da rota podem atravessar.

“Se tomamos como base as análises de três ou quatro dias seguintes, vemos fenômenos similares e bem mais poderosos”, afirmou Alain Ratier, diretor-geral adjunto da Méteo France.
Embora as condições meteorológicas fossem ruins no momento da passagem do voo AF447, 15 minutos antes – quando a temperatura no interior da ZCIT superava os -90ºC – eram piores. “Às 2h15, a tempestade estava em fase decrescente”, disse Ratier. “Nada indica que estávamos frente a uma tempestade de capacidade anormal”. Na segunda-feira, logo após a confirmação da desaparição do voo AF447, a Air France chegou a cogitar, em coletiva em Paris, que a queda do avião estaria ligada a uma tempestade elétrica.

Desde então, a versão sofreu críticas veementes de especialistas, que indicaram que aparelhos como o Airbus A330 estão preparados para resistir a raios. Nos últimos dias, uma outra hipótese relacionada ao clima vem ganhando força na França: a de que sensores da aeronave essenciais para a navegação tenham enfrentado congelamento durante a travessia da tempestade.

Essa hipótese não foi descartada. Não relacionada ao clima, mas também cogitada desde o primeiro momento, a hipótese de que um ataque terrorista tenha derrubado o avião foi praticamente descartada pela investigação do BEA. Paul-Louis Arslanian, diretor do Escritório, entende que essa possibilidade, se vier a ser confirmada, seria “muito surpreendente”, já que as mensagens automáticas indicam que o avião enfrentou uma sucessão de panes eletrônicas durante quatro minutos, para só então sofrer uma interrupção brusca de seu funcionamento.


Leme normal


Nenhuma das 24 mensagens enviadas automaticamente pelo A330 entre as 23h10 e as 23h14 indicava a quebra do leme. A informação foi desmentida categoricamente pelos peritos do Escritório de Investigações e Análises sobre a Aviação Civil (BEA). Desde sexta-feira, havia no Brasil a especulação de que a mensagem CTL RUD TRV LIM FAULT, enviada às 23h10 pelos computadores de bordo da aeronave, mostrariam que o leme do avião, peça que orienta a navegação, teria se quebrado.

A mensagem, afirmaram os técnicos do BEA, de fato foi enviada e significa Rudder Travel Limiter Fault. Questionado se a informação significava a quebra do leme, Paul-Louis Arslanian, diretor do BEA, foi sintético: “A resposta é muito simples: não”.

Arslanian então explicou que a falha nos sensores do leme foi causada pelo “aferimento incoerente da velocidade” pelos Tubos de Pitot. “É apenas uma indicação de que um dos sistemas, o que limita o movimento do leme, não estava operando quando a mensagem foi enviada. Isso ocorre porque, para que o sistema funcione, é preciso saber a velocidade do avião”.

Estas mensagens automáticas indicam que o piloto automático da aeronave deixou de operar por pelo menos quatro minutos antes que a aeronave desaparecesse em meio ao Oceano Atlântico. Nesse período, fo

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