FOLHAPRESS
A Polícia Civil do Paraná prendeu nesta quinta-feira (19) um homem suspeito de estuprar e matar uma criança de 9 anos em 2006. O inquérito, que estava sem conclusão, foi desarquivado após denúncias de outras mulheres que afirmam ter sofrido abusos sexuais de Martônio Alves Batista, 55.
A reportagem não conseguiu identificar se Martônio constituiu defesa. A polícia não respondeu se ele possui advogado. Segundo a investigação, o homem confessou a ex-companheiras o crime contra Giovanna dos Reis Costa, 9.
O caso de 2006 aconteceu no município de Quatro Barras, região metropolitana de Curitiba. Mãe e filho ciganos chegaram a ficar presos por cinco anos acusados pela morte de Giovanna. Eles alegavam inocência, mas foram acusados pelo crime, tendo sido inocentados em decisão do Tribunal do Júri.
Segundo a polícia, Martônio relatou a uma ex-mulher que encontrou Giovanna vendendo rifas e a atraiu para casa, sob o argumento de que ia buscar dinheiro.
Dentro da residência, ele teria sufocado a vítima e cometido violência sexual. Para dificultar a localização de pistas, ele deixou corpo e peças de roupas em lugares diferentes.
“Anos depois ele confessou a uma ex-mulher dizendo: ‘Lembra do caso de Quatro Barras em que eu era testemunha? Eu não era testemunha, eu era o autor'”, afirma Camila Cecconello, delegada da Polícia Civil do Paraná. Ex-mulheres e ex-enteadas de Martônio foram ouvidas em depoimento.
A investigação da época tratou Martônio como um dos suspeitos, mas não houve provas suficientes, segundo a atual delegada titular do caso. Policiais foram à casa de Martônio em 2006 e encontraram um colchão com mancha de urina e um pedaço de fio da mesma cor e dimensão do que amarrou Giovanna.
A perícia foi dificultada à época porque, quando os policiais voltaram à casa, a então companheira de Martônio já havia destruído o colchão e limpado o imóvel com agentes químicos.
Depois de 2006, Martônio se divorciou e se relacionou com outras mulheres. Em todos os relacionamentos, segundo a delegada, o homem abusava sexualmente de enteados.
“Ele cometeu violência sexual contra uma das filhas da ex-mulher no período entre 9 e 12 anos de idade.
Ela era constantemente ameaçada e não contava para ninguém. Nas ameaças, ele citava que já havia feito mal para uma menina chamada Giovanna e que poderia fazer mal para outra também”, afirma a delegada.
A vítima o reconheceu quando ele foi preso em 2018, suspeito de instalar câmeras ocultas em um banheiro feminino da lanchonete onde trabalhava.
“A menina viu uma matéria na TV, lembrou dele e disse que iria denunciar. Quando contou dos abusos, descobriu que a Giovanna a quem ele se referia era a Giovanna morta em Quatro Barras, em 2006”, diz Camila Cecconello.