BRUNA FANTTI
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)
Um homem identificado como Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, o Boss, foi preso na última segunda-feira (21), em sua casa em Maceió, apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como o comandante de um esquema do Comando Vermelho para o transporte de drogas entre São Paulo e o Rio de Janeiro.
Boss é um dos 15 denunciados com mandados de prisão preventiva (sem prazo para soltura) expedidos nesta semana pela 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa.
Os mandados foram cumpridos no âmbito da Operação Ícaro, com apoio das Polícias Civis do Rio, de São Paulo e de Alagoas, da Seap (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária) e da Polícia Militar fluminense.
O grupo é apontado como responsável pelo transporte de toneladas de drogas entre os dois estados, usando empresas de transporte e logística como fachada para embutir as cargas ilícitas em meio a mercadorias regulares.
Além dos mandados de prisão e de busca e apreensão, a operação inclui outras medidas judiciais para apreensão de aparelhos eletrônicos, documentos, valores e veículos ligados ao esquema.
Segundo o promotor Décio Alonso, Boss assumiu a função antes exercida por Marcos Antônio Pereira Firmino da Silva, o My Thor, apontado como uma das lideranças do CV e hoje preso no Presídio Federal de Catanduvas (PR).
Foi Boss, de acordo com investigadores, quem passou a articular diretamente com chefes da facção o abastecimento das comunidades, negociando cargas, organizando fretes e pagamentos, coordenando operadores logísticos e recorrendo a laranjas para movimentar o dinheiro do tráfico.
Ainda de acordo com Alonso, Boss conseguiu ficar anos sem ser identificado pelas investigações por adotar “uma política de isolamento”.
O promotor afirmou ainda que, no Rio, Boss fornecia drogas com exclusividade para o CV, mas mantinha articulações com integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) em outros estados, principalmente em São Paulo.
O cruzamento de dezenas de comunicações sobre movimentações financeiras atípicas, envolvendo denunciados e estabelecimentos comerciais, apontou transações de R$ 70.497.597 em curto período.
A rota entre São Paulo e o Rio de Janeiro é considerada estratégica para o abastecimento de facções fluminenses.
A denúncia relaciona à estrutura logística do grupo duas apreensões: 715,7 quilos de cocaína e maconha, no total, encontrados em Guarulhos (SP) em 2 de fevereiro de 2024, e 73,8 quilos de cocaína, apreendidos em 31 de maio do mesmo ano em Seropédica, na Baixada Fluminense.
Juntas, as cargas somam 789,5 quilos de drogas que, segundo a polícia, integravam a mesma dinâmica de transporte interestadual.
Além de Boss e My Thor, foram denunciados dois policiais militares acusados de dar apoio armado ao grupo e de atuar na distribuição de drogas e no recolhimento de valores; ambos já estão presos. Não há informação se eles apresentaram advogado. Em processos abertos, não constam defesas nomeadas.
Entre os denunciados, quatro eram responsáveis pela logística, pelo transporte e pela cobrança dentro do esquema. Outros seis recebiam as drogas de forma recorrente no Rio de Janeiro para posterior redistribuição, segundo as investigações. Dois denunciados atuavam como laranjas do esquema.
A Promotoria pediu ainda a condenação dos acusados por associação para o tráfico e lavagem de capitais, além do confisco de bens e da perda alargada do patrimônio do grupo.