O Sistema Único de Saúde (SUS) começa a oferecer até 100 mil teleatendimentos por mês para pessoas com problemas de saúde mental relacionados a apostas, além de familiares. A iniciativa integra ações definidas em um Acordo de Cooperação Técnica firmado em dezembro de 2025 entre os ministérios da Fazenda e da Saúde.
Segundo as informações divulgadas, o acordo prevê ações integradas voltadas à prevenção, à redução de danos e ao cuidado em saúde de pessoas com problemas relacionados às apostas. O Ministério da Fazenda, por meio da Secretaria de Prêmios e Apostas, atua na fiscalização do mercado de apostas de quota fixa, na aplicação de sanções, na autorização de operadores e no desenvolvimento de ferramentas e mecanismos para prevenir riscos associados à atividade, especialmente entre públicos vulneráveis.
O atendimento em saúde mental é gratuito e oferece orientação, acompanhamento profissional e porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). As consultas têm duração aproximada de 50 minutos e podem resultar em novos ciclos de atendimento, encaminhamento para atendimento presencial ou alta, conforme avaliação do profissional responsável.
O serviço pode ser solicitado pelo aplicativo Meu SUS Digital. Após acessar a plataforma com a conta gov.br, o usuário deve selecionar o miniaplicativo “Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Quem Aposta” e responder ao autoteste. Em seguida, é direcionado à plataforma da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), onde aceita o Termo de Uso, preenche o formulário inicial, informa se o atendimento é para si ou para um familiar e conclui a solicitação. Depois do agendamento, recebe a confirmação da consulta, o link para a videochamada e as orientações para o atendimento.
Entre os sinais de alerta para uma relação problemática com jogos e apostas estão alterações no sono, na alimentação ou no humor, ansiedade e irritabilidade quando a pessoa não está jogando, dificuldade para reduzir ou interromper as apostas e sentimentos de culpa ou vergonha. Também merecem atenção comportamentos como esconder ou mentir sobre as apostas, comprometer o orçamento ou as relações pessoais e profissionais e recorrer aos jogos como forma de lidar com estresse, ansiedade ou frustração.
O Ministério da Fazenda e o Ministério da Saúde também mantêm, em parceria, o Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas, voltado ao monitoramento dos impactos das apostas na saúde e ao desenvolvimento de ações de prevenção e cuidado. Entre as ferramentas disponíveis está a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, que permite ao cidadão solicitar voluntariamente o bloqueio do CPF para impedir o acesso às plataformas de apostas autorizadas.