Na chegada da seleção argentina feminina de basquete, o discurso do técnico Eduardo Pinto assumia a postura de coadjuvante para o Campeonato Mundial, que está sendo disputado em São Paulo. Mas o que o time mostrou em quadra durante a primeira fase valeu-lhe a garantia de uma vaga nas oitavas-de-final da competição.
Hoje, na abertura da rodada no ginásio do Ibirapuera, as sul-americanas venceram a seleção da Coréia do Sul por 73 x 64 (43 x 31 no primeiro tempo) e asseguraram sua vaga. Para as coreanas resta o consolo das disputas de 13º a 16º lugar.
Com um time classificado pelo próprio treinador de semi-amador, a Argentina conseguiu surpreender até agora. Na estréia, esteve perto de desbancar a seleção brasileira. O Brasil venceu no penúltimo lance do jogo com uma cesta salvadora de Helen a 4s3 do final. As argentinas ainda tiveram mais uma chance, mas erraram a bandeja e acabaram perdendo por dois pontos.
Na quarta-feira, elas fizeram de novo. Desta vez com mais sucesso e derrotaram as espanholas por 77 x 64. O destaque desta quinta foi Veja, com 25 pontos para o grupo alviceleste. Beon foi a cestinha coreana com 13 pontos.
“Tínhamos como meta tentar passar para a próxima fase. A vitória de ontem e o bom jogo que fizemos contra o Brasil nos deu muita confiança”, reconhece o técnico Eduardo. “Conseguimos nos sair melhor do que esperávamos. Foi um jogo duro. A Coréia tem boas arremessadoras de longa distância e nos últimos minutos relaxamos na defesa”, avalia.
A performance argentina no torneio foi tão motivadora que até a torcida se deixou seduzir e esqueceu a tradicional rivalidade com os vizinhos e decidiu apoiar o grupo sul-americano. Pelo menos, esta foi a interpretação encontrada pela cestinha Vega. “Acho que foi resultado da maneira como nós disputamos o jogo. Nos entregamos intensamente”.
Além da classificação argentina, a presença da torcida hoje no ginásio do Ibirapuera foi outra surpresa. Após dois dias de participação discreta do público, nesta tarde ele compareceu em número bastante superior. Escolas, clubes e projetos sociais ligados às jogadoras deram sua contribuição para isso e o número de torcedores superou a soma dos dois primeiros dias de competição.