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Brasil

Sucata eletrônica se transforma em fonte de renda para famílias do Cairo

Arquivo Geral

18/12/2010 11h03

No humilde bairro dos lixeiros do Cairo, no Egito, as mulheres se transformaram em autênticas profissionais de informática que desmontam velhos computadores e instalam novos equipamentos para melhorar a renda familiar.

“Queremos que elas se tornem autônomas e saibam trabalhar com a tecnologia, afinal, quem não sabe usá-la é um analfabeto hoje em dia”, explicou à Agência Efe um dos responsáveis do projeto com mulheres de lixeiros, Ihab Nasr, da associação de serviços ambientais.

Protegidas com luvas e munidas de alicates e chaves de fenda, 10 mulheres desinstalam discos rígidos e leitores de CD para ajudar à economia familiar.

A decisão do Governo, segundo Nasr, obrigou as famílias dos “zabalín” (recolhedores de lixo, em árabe) a buscarem outras fontes de renda. Antes elas se dedicavam à criação de porcos entre toneladas de resíduos, nas encostas da montanha de Muqatam, no leste da capital egípcia, mas foram prejudicadas com a epidemia da gripe A.

Com o objetivo de conseguir um novo emprego a partir da única fonte que sobrou, o lixo, as mulheres participam há um ano de um programa de formação da associação de Nasr para reciclar resíduos eletrônicos e reparar velhos computadores.

Uma das alunas é Orin Hanna, uma jovem casada de 27 anos e com dois filhos, que garante estar satisfeita com a rotina na oficina, onde trabalha três dias por semana.

“Agora só ganhamos 100 libras (o equivalente a US$ 17) a cada três meses. Esperamos que o projeto cresça e que o dinheiro melhore”, afirmou a cristã, maquiada e enfeitada com chamativos pendentes, enquanto desmontava um leitor de CD.

O pequeno lucro do projeto se deve, de acordo com Nasr, com o público consumidor. “Todos os equipamentos são vendidos aos moradores do bairro por um preço baixo”, diz Nasr, rodeado de cabos, monitores, impressoras e centenas de discos rígidos.

Algumas empresas egípcias doam à associação aparelhos eletrônicos obsoletos, que chegam até a sede da organização localizada num beco sombrio repleto de moscas e contêineres de lixo. “Geralmente são equipamentos quebrados e que funcionam com versões de ‘Windows’ desatualizadas”, explicou Nasr, que ressaltou que agora as pessoas o procuram para entregar os computadores antigos.

Na sua opinião, “a chegada de notebooks e das telas planas” contribuíram para aumentar as doações para o programa que, apoiado pela Fundação do criador da Microsoft, Bill Gates e sua esposa Melinda.

Outro desafio é ensinar inglês para as integrantes do projeto. Sohag Kamel, de 29 anos, que não sabia o idioma usado em todos os dispositivos de informática, já sente um progresso.

“Sempre perguntava ao professor e depois ia para casa para aplicar o que aprendia. Agora já posso consertar meu próprio equipamento”, confessou orgulhosa à Efe.

Entre brincadeiras e longas discussões, as mulheres iniciam o conserto dos aparelhos com o exame do equipamento e a decisão de repará-lo ou de desmontá-lo para vender suas peças.

O responsável da ONG acrescentou que em alguns casos, reciclaram monitores que se empilhavam num dos cantos da sala e os transformaram em televisores.

A iniciativa, que tem o objetivo de empregar 70 moradoras do bairro, “tem futuro porque sempre haverá equipamentos obsoletos e a tecnologia avança numa velocidade impressionante”, sugeriu Nasr.

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