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SP orienta grávidas com varíola dos macacos a optar por cesariana

Segundo Gorinchteyn, o governo estadual disponibiliza 56 maternidades em São Paulo aptas para o atendimento em casos de varíola dos macacos

Por FolhaPress 04/08/2022 4h38
Foto: Reprodução/Web

Samuel Fernandes
São Paulo, SP

O Governo de São Paulo divulgou protocolos clínicos específicos para mulheres grávidas, puérperas e lactantes em casos de diagnóstico positivo para varíola dos macacos. Dar preferência pela cesariana a depender das lesões causadas pela doença e suspender a amamentação do bebê por pelo menos 14 dias são algumas dessas medidas.

Mulheres grávidas e puérperas são reconhecidas como um grupo de risco para quadros graves de varíola dos macacos. Além disso, elas podem transmitir o vírus para os recém-nascidos, que também são do grupo de risco para a doença. O cenário faz com que algumas orientações sejam voltadas para esse público.

“A mãe grávida tem um protocolo específico”, afirmou David Uip, secretário de Ciência, Pesquisa e Desenvolvimento em Saúde do governo paulista, durante entrevista coletiva nesta quinta-feira (4). No estado de São Paulo, já foram registradas duas gestantes com a infecção -no total, são 1.298 casos da doença.

Uma das indicações é dar preferência para a cesariana em casos de infecção por monkeypox -vírus que causa a varíola dos macacos. Jean Gorinchteyn, secretário estadual da Saúde, explicou que o parto normal pode ser cogitado em casos em que a grávida não apresenta as vesículas -bolhas com líquido dentro- comuns à doença nas regiões vulvovaginal e perianal (em volta do ânus).

Outra medida envolve a suspensão do aleitamento materno por pelo menos 14 dias. Uma das razões para essa recomendação é que a amamentação aumenta o contato do bebê com a mãe. Como a principal forma de transmissão do vírus é por contato pele a pele, manter o aleitamento pode representar um risco ao recém-nascido.

Além disso, faltam estudos a respeito da transmissão do vírus por leite materno. “Nós não sabemos se, para essa doença, existe alguma transmissão através do leite materno”, afirmou Gorinchteyn.

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O contato direto do bebê com a mãe, independente da amamentação, também foi uma orientação dada pelo secretário de saúde.

“Nós estamos discutindo outras formas de proteção do bebê […], mas, neste momento, nós ainda não temos essa segurança e, por isso, a orientação é de manter o bebê e a mãe afastados durante esse cenário.”

Segundo Gorinchteyn, o governo estadual disponibiliza 56 maternidades em São Paulo aptas para o atendimento em casos de varíola dos macacos. O secretário também afirmou que os protocolos clínicos podem ser alterados no futuro.

Máscaras e gestantes Uma nota técnica do Ministério da Saúde recomendou que grávidas, puérperas e lactantes mantenham o uso de máscaras devido ao surto de varíola dos macacos. O documento também orienta que elas se afastem de pessoas com sintomas da doença e usem preservativo em todas as relações sexuais.

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“As gestantes apresentam quadro clínico com características semelhantes às não gestantes, mas podem apresentar gravidade maior, sendo consideradas grupo de risco para evolução desfavorável”, diz a nota técnica.

Na entrevista coletiva, Uip chamou a a orientação de “prudente” e “adequada”.

“Máscara é algo que hoje está inserido no contexto hospitalar”, disse o secretário.

No caso da varíola dos macacos, a transmissão por gotículas respiratórias é mais rara, pois demanda contato próximo e prolongado. Por isso, o uso de máscaras como uma proteção contra a infecção é recomendado para situações específicas.

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O CDC (Centro de Controle de Doenças dos EUA), por exemplo, indica o equipamento para profissionais de saúde, pacientes com varíola dos macacos quando em contato com outros indivíduos de forma prolongada e próxima (em média, menos de 2 metros de distância).








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