Embora o projeto para a realização das Olimpíadas de 2016 já tenha sido aprovado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), a população carioca deve cobrar mudanças para favorecer a urbanização em áreas mais carentes e melhorar o acesso a serviços públicos como transporte, iluminação e saneamento.
A avaliação é da coordenadora do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), Renata Lins, que participou hoje (23) do debate sobre o desenvolvimento da cidade do Rio com a realização das Olimpíadas, durante o Fórum Social Urbano (FSU). O evento reúne pesquisadores e ativistas para discutir problemas urbanos.
De acordo com Renata Lins, devido à pressão social ,o governo de Londres, a cidade sede dos Jogos Olímpicos de 2012, estabeleceu mudanças no projeto para atender áreas mais povoadas da cidade, em contraposição a regiões mais vazias, que foram destinadas, anteriormente, para receber investimentos de infraestrutura.
“Essas mudanças nos afetarão nos próximos 50 anos. Precisamos intervir, influir. Londres conseguiu avanço a dois anos dos Jogos. Precisamos questionar algumas questões, como a remoção de 119 favelas sobre as quais ninguém fala nada”, declarou.
O pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Erick Omena, mostrou que os Jogos Pan-Americanos, em 2007, não trouxeram mudanças significativas para a população carente do Rio como melhoria do transporte público, construção de moradias populares e reurbanização de favelas. Além disso, o projeto implicou na remoção de cerca de 160 famílias em troca de uma pequena indenização.