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Brasil

Sensor de baixo custo para medir poluição do ar é lançado no Acampamento Terra Livre

Desenvolvido pelo Ipam em parceria com a UFPA, o equipamento busca ampliar o monitoramento em comunidades tradicionais, unidades de conservação e áreas rurais da Amazônia.

Redação Jornal de Brasília

05/04/2026 10h58

poluiçao qualidade do ar

Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

Um sensor de baixo custo para medir a poluição do ar, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), será lançado nesta segunda-feira (6) no Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília.

O equipamento visa expandir a medição da qualidade do ar, conforme previsto na Política Nacional de Qualidade do Ar (Lei 14.850/2024). Segundo o pesquisador do Ipam Filipe Viegas Arruda, o monitoramento deve alcançar além das cidades, incluindo comunidades tradicionais, unidades de conservação e propriedades rurais.

De acordo com o Relatório Anual de Acompanhamento da Qualidade do Ar 2025, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o país possui 570 estações de monitoramento, das quais apenas 12 estão em Terras Indígenas.

O lançamento integra a criação da RedeAr, que distribuirá um primeiro lote de 60 sensores a partir de setembro. A rede, em parceria com a Conexão Povos da Floresta — que reúne Ipam, Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e Conselho Nacional de Saúde (CNS) —, monitorará poluição, umidade e temperatura em comunidades tradicionais e áreas públicas da Amazônia Legal. Os dados serão correlacionados com índices de doenças respiratórias da Secretaria Nacional de Saúde Indígena (Sesai) e do Telesaúde.

Uma nota técnica do Ipam indica que, em 2024, extremos climáticos agravados por queimadas resultaram em 138 dias de ar nocivo à saúde em estados da Região Amazônica. “Muitas vezes se tem a falsa ideia de que os indígenas e as pessoas da Amazônia respiram ar puro. Não é isso que vem acontecendo”, alerta Arruda.

O sensor nacional resolve limitações dos equipamentos importados, que são caros e inadequados para a região, sofrendo com insetos e poeira. O novo modelo inclui proteção interna, armazena dados localmente em caso de falha na internet e permite integração com outros dispositivos.

Arruda estima que, com a integração, a RedeAr chegue a 200 sensores instalados até o final do ano, promovendo engajamento em educação ambiental e políticas contra queimadas.

O equipamento estará exposto na tenda da Coiab durante o Abril Indígena no Acampamento Terra Livre, que ocorre até 11 de abril no Eixo Cultural Ibero-Americano, em Brasília.

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