Na visão dos ruralistas, que querem mais recursos para a garantia de preços mínimos na agricultura, se o Governo Federal não garante o dinheiro no orçamento, o País corre o risco de passar por uma crise de estoque e de abastecimento, diante de um imprevisto interno ou mundial. O relator geral do orçamento da União, em 2009, deputado Geraldo Magela (PT-DF) nas articulações com os ruralistas alegou que não tinha como deslocar dinheiro de outras fontes no orçamento para atender a reivindicação. O parlamentar disse que reconhecia como justo o pleito, mas estava impedido de atendê-lo.
“O relator não é o maior culpado disso. O culpado é o governo que não faz a política por meio da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias). O dinheiro tinha que vir carimbado, como na saúde e na educação”, analisa outro membro da bancada ruralista, Carlos Melles (DEM-MG).
“Isso infelizmente se repete todos os anos. O governo não garante o que a lei determina, ou seja, as condições para o preço mínimo, mas quer mudar índices de produtividade no campo, veja as incoerências”, criticou o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), considerado um dos expoentes dos interesses do campo.
Segundo Caiado, sem os recursos públicos para a garantia do preço mínimo, os agricultores e pecuaristas ficam nas mãos de “cartéis e de especuladores, os atravessadores de sempre”. Para ele, a dificuldade dos ruralistas em conseguir prioridade no momento da votação do orçamento tem razões ideológicas, em lugar de se fazer uma discussão baseada em critérios técnicos e científicos. “O Lula (presidente Luiz Inácio Lula da Silva) tem conseguido diminuir a ação da bancada com manobras”.
Carlos Melles disse que o que os ruralistas exigem é bem menos do que o ideal. “Façamos uma conta. A agricultura e a pecuária geram entre 150 e 200 bilhões de reais anualmente no Brasil. A lógica e a prudência levariam a termos um montante de 10% disso alocados no orçamento. Essa seria a política correta”.
Segundo Carlos Melles, garantir esse dinheiro é uma segurança para a economia nacional. “É muito provável que não vai se gastar nada disso, mas o País daria um sinal ao mundo que está investindo para apoiar os produtores do campo”. O parlamentar comparou que os Estados Unidos da América e a comunidade europeia subsidiam a agricultura e a pecuária, o que torna mais difícil a competitividade dos brasileiros no mercado internacional. Por esse motivo se o Governo Federal não agir fica difícil aos produtores brasileiros competir “lá fora”.