Na solenidade de posse do novo ministro da Defesa, page Nelson Jobim, web o presidente Lula disse que o “momento mais difícil” para um presidente da República é o da troca de um ministro. “Na vida de um presidente da República, o momento mais difícil, por mais experiência que se tenha, é sempre a troca de um companheiro por outro companheiro. Todo mundo sabe que na política isso muitas vezes se faz necessário”, disse.
Nelson Jobim assumiu o Ministério da Defesa no lugar de Waldir Pires. O presidente Lula agradeceu o trabalho de Pires à frente da pasta e disse que apesar de estar saindo do governo, ele deixou uma grande contribuição para o país. Lula disse que partiu de Waldir Pires a decisão de entregar o cargo, ao contrário da versão oficial divulgada pela assessoria de comunicação do Palácio do Planalto. “Quando você, Waldir, me comunicou a sua decisão de sair, e eu aceitei, é porque compreendo o momento que estamos vivendo”.
E acrescentou: “Certamente haverá aqueles que irão dizer que o companheiro Waldir está saindo por causa da crise aérea, por causa da tragédia com o avião da TAM. Esse fato, na verdade, permitiu que você tomasse a decisão de pedir o afastamento. Mas a troca de ministro, nem sempre acontece só por isso. Ela acontece em função de conjunturas políticas, em função de momentos que vive o país; e eu acho que você pode andar em qualquer rua deste país de cabeça erguida, como um homem que nasceu e viveu grande parte de sua vida prestando serviços a esta nação”.
Ao falar da crise aérea, o presidente Lula reafirmou que o governo vem trabalhando para encontrar uma solução definitiva para os problemas no sistema de aviação. E voltou a pedir à sociedade que não transforme os últimos acontecimentos em “disputas menores”, ou seja, que não se condene ninguém antes de que as investigações se concluam. O presidente garantiu que o governo está empenhando em investigar todo o processo da crise, desde a greve dos controladores de vôo, até o acidente com a aeronave da TAM, que causou a morte de cerca de 200 pessoas.
Na cerimônia de posse, o presidente assumiu, publicamente, ter medo de avião. “Eu particularmente, toda vez que o avião fecha a porta, eu entrego a minha sorte a Deus, porque eu estou na mão de um comandante que é um ser humano, de uma máquina ultra-moderna, mas que é uma máquina, estou na mão de um controlador que diz quando eu devo parar ou não, e estou na mão das intempéries que nem sempre o ser humano consegue controlar. Mesmo assim, sabendo que eu tenho o conforte de entregar a minha sorte a Deus, eu sou um medroso ao andar de avião. Confesso isso publicamente, porque não é vergonha nenhuma dizer que nós temos medo”.
E acrescentou: “E exatamente por ser esta máquina moderna e por ser os problemas das intempéries muitas vezes detectáveis, é que acontecem os acidentes. Eu se pudesse pedir a Deus, eu pediria que esse fosse o último acidente de avião no planeta. Mas não será. E Deus queira que não seja no Brasil que aconteça outros acidentes, mas pode acontecer. E pode acontecer em função de dezenas de coisas”.