TULIO KRUSE
FOLHAPRESS
A Justiça de São Paulo aceitou denúncia contra Saul Klein, 72, herdeiro das Casas Bahia, e o tornou réu sob acusação de exploração sexual inclusive de menores de idade, tráfico de pessoas e organização criminosa.
O caso se refere a denúncias feitas por 14 mulheres, que acusam o empresário de aliciá-las e abusar sexualmente delas em festas que reuniam dezenas de garotas em sua casa em Alphaville, na região metropolitana de São Paulo, desde 2008.
A decisão, da 2ª Vara Criminal de Barueri, também aceitou denúncias contra sete mulheres que são acusadas de participar da suposta rede de aliciamento sexual de Klein. No curso do processo, os réus terão oportunidade de formalizar defesa e contestar as acusações feitas.
A defesa do empresário afirmou, em nota, que “permanece confiante de que, ao final do processo, todas as acusações serão integralmente rejeitadas”.
Klein afirma que a relação com as mulheres que o denunciaram era “livre e consensual, no contexto de uma dinâmica conhecida como ‘sugar daddy”‘e ‘sugar baby'”.
O advogado Alberto Toron, que o defende, destacou que as acusações de estupro, cárcere privado e redução à condição análoga à de escravo contra o empresário foram rejeitadas pela Justiça, seguindo entendimento do próprio Ministério Público.
Depoimentos das denunciantes narram que elas eram recrutadas sob promessa de trabalho em eventos, modelagem e cursos promocionais. Elas dizem que, após aceitarem as ofertas, eram levadas a apartamentos e outras propriedades de Klein, tinham a rotina controlada por assessoras e seguranças, tinham dificuldade de deixar esses locais e eram pagas em dinheiro por encontros com o empresário, com quem tinham de manter relações sexuais.
Mais de um depoimento menciona fornecimento de remédios e bebidas alcoólicas às mulheres aliciadas, além de uma regulação constante do seu comportamento. Elas eram impedidas de usar celulares e deveriam sorrir sempre na presença de Klein, segundo os relatos citados no processo.
A decisão judicial afirma que os relatos reunidos “ultrapassam, em tese, mera notícia isolada ou conjectura abstrata, revelando quadro probatório minimamente consistente quanto à possível existência de estrutura organizada voltada ao aliciamento e exploração sexual de mulheres e adolescentes”.
Além disso, diz que a alegação da defesa “será objeto de aprofundado exame durante a instrução criminal, especialmente quanto à efetiva liberdade de consentimento das participantes”. Será analisada inclusive a hipótese prostituição consentida, diz o documento.
Foram arquivadas também, a pedido da Promotoria, investigações contra motoristas que faziam o transporte das mulheres, a suspeita de “crimes de perigo de contágio venéreo” e uma acusação de violação sexual mediante fraude que, segundo a Justiça, foi feita de maneira genérica e sem individualizar a conduta dos suspeitos.
Saul Klein é filho de Samuel Klein (1923-2014), fundador das Casas Bahia. Ele atualmente disputa a herança do pai na Justiça com o seu irmão mais velho Michel Klein, para quem Saul vendeu a sua parte societária na rede varejista em 2010 pelo valor estimado de R$ 1,5 bilhão.
O empresário também é um dos atuais donos do time de futebol Ferroviária, de Araraquara, no interior de SP, e foi candidato (não eleito) a vice-prefeito de São Caetano do Sul neste ano, cidade cujo time de futebol também teve ele como investidor por anos.
Saul Klein, herdeiro das Casas Bahia, vira réu sob acusação de exploração sexual em SP
O caso se refere a denúncias feitas por 14 mulheres, que acusam o empresário de aliciá-las e abusar sexualmente delas em festas que reuniam dezenas de garotas em sua casa em Alphaville
Foto: Reprodução/ TV