A presidência da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém em novembro de 2025, divulgou o relatório executivo que consolida os resultados do encontro. O documento detalha 56 decisões adotadas por consenso entre os países participantes, abrangendo temas como mitigação, adaptação, financiamento, tecnologia e perdas e danos.
De acordo com o comunicado conjunto do presidente da COP, André Corrêa do Lago, e da diretora executiva Ana Toni, as decisões devem catalisar transformações econômicas, a construção de sociedades resilientes e a restauração de ecossistemas. O secretário executivo da UNFCCC, Simon Stiell, destacou novos acordos sobre transição justa, triplicação do financiamento para adaptação e progressos na Agenda de Ação, incluindo trilhões de dólares para redes limpas e uma iniciativa para florestas.
Entre os resultados concretos, o relatório aponta a ampliação do financiamento climático, com meta de mobilizar US$ 1,3 trilhão até 2035, incluindo pelo menos US$ 300 bilhões em recursos públicos. Foi acordada também a triplicação do financiamento para adaptação no mesmo período. Além disso, 122 países submeteram suas contribuições climáticas nacionais (NDCs), iniciando um novo ciclo de compromissos para redução de emissões de gases de efeito estufa.
O documento delineia três mapas do caminho para orientar a ação climática global. O primeiro é o Mapa do Caminho pela Transição para o Afastamento dos Combustíveis Fósseis de forma justa, ordenada e equitativa, com metas como zerar o desmatamento até 2030. O segundo foca na Reversão do Desmatamento e da Degradação Florestal até 2030, reforçando o papel das florestas no clima e desenvolvimento sustentável. O terceiro, o Mapa do Caminho de Baku a Belém, visa a mobilização de US$ 1,3 trilhão em financiamento climático para países em desenvolvimento, com base no Acordo de Paris.
A presidência da COP30 lançou o Acelerador Global de Implementação, para apoiar países na execução de metas climáticas e planos de adaptação, priorizando ações de impacto rápido e em grande escala.
Uma iniciativa destacada é o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que busca mobilizar financiamento previsível e de longo prazo para conservação e uso sustentável de florestas em países tropicais em desenvolvimento. O fundo opera com financiamento misto, público e privado, baseado em resultados, e foi endossado por 52 países e a União Europeia.
Na COP30, foi criada a Declaração de Belém sobre o Combate ao Racismo Ambiental, endossada por países da América Latina, África, Ásia e Oceania. O acordo promove diálogo sobre igualdade racial, clima e meio ambiente, reconhecendo discriminação histórica, exposição desproporcional de grupos vulneráveis a riscos climáticos e a necessidade de abordagens baseadas em direitos humanos.
Outra declaração, sobre Fome, Pobreza e Ação Climática, teve adesão de 44 países. Ela reconhece que impactos climáticos agravam pobreza, inseguridade alimentar e crises de saúde, defendendo expansão de proteção social, investimentos em produção alimentar, apoio a pequenos agricultores e sistemas de alerta precoce.
O relatório aponta os próximos passos, com foco na preparação para a COP31 em Antalya, na Turquia, em 2026. A presidência da COP30 pretende consolidar os mapas do caminho, ampliar o financiamento e manter o engajamento internacional para transformar compromissos em resultados concretos.