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Relatório aponta qualidade precária persistente na água dos rios da Mata Atlântica

Apenas 3,1% dos pontos analisados foram classificados como bons, destacando a estagnação na poluição e a lentidão no saneamento básico.

Redação Jornal de Brasília

19/03/2026 15h20

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A Fundação SOS Mata Atlântica lançou, nesta quinta-feira (19), o relatório ‘Retrato da Qualidade da Água nos Rios da Mata Atlântica’, que revela uma situação precária persistente nos rios do bioma. O estudo, baseado em 1.209 análises realizadas em 162 pontos de coleta distribuídos por 128 rios e corpos d’água em 86 municípios de 14 estados, entre janeiro e dezembro de 2025, indica que nenhum ponto atingiu qualidade ótima.

Dos 162 pontos avaliados, apenas cinco (3,1%) apresentaram qualidade boa, enquanto 127 (78,4%) foram classificados como regulares, 25 (15,4%) como ruins e cinco (3,1%) como péssimos. Para Gustavo Veronesi, coordenador da causa Água Limpa da entidade, os resultados mostram um cenário de estagnação preocupante, com a maioria dos rios sob pressão constante da poluição. Rios com qualidade regular já demonstram impactos ambientais que comprometem seu uso para consumo ou lazer, e os ruins ou péssimos atingem níveis críticos, prejudicando a biodiversidade, a saúde pública e a população dependente desses recursos.

Comparando com o biênio anterior, em 115 pontos analisados tanto em 2024 quanto em 2025, os classificados como bons caíram de nove para três. Os regulares subiram de 89 para 91, os ruins de 15 para 16, e cinco permaneceram péssimos. A entidade atribui o principal entrave à falta de saneamento adequado, com cerca de metade da população brasileira sem acesso a esse serviço essencial.

Veronesi destacou as metas do Novo Marco Legal do Saneamento Básico, que prevê até 2033 a universalização com 99% da população atendida por água potável e 90% por coleta e tratamento de esgoto. No entanto, ele alertou para o descompasso entre a legislação e o avanço lento, o que mantém a estagnação na qualidade da água.

Malu Ribeiro, diretora de políticas públicas da Fundação, enfatizou que os dados refletem escolhas políticas que agravam a degradação, como pressões para flexibilizar o Código Florestal, a Lei da Mata Atlântica e regras de licenciamento ambiental. A perda de matas ciliares reduz a capacidade de filtragem e regulação dos rios, enquanto eventos climáticos extremos, como estiagens e chuvas intensas, aumentam o carreamento de sedimentos e poluentes.

Ribeiro criticou o modelo de desenvolvimento que fragiliza a legislação ambiental, comprometendo a segurança hídrica. Ela defendeu políticas públicas integradas, planejamento de longo prazo e fiscalização, em vez de depender apenas da privatização de companhias de saneamento, reconhecendo o acesso à água como um direito fundamental.

*Com informações da Agência Brasil

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