Menu
Brasil

Promotoria denuncia 9 por esquema do PCC que movimentou mais de R$ 98 milhões

Operação Falso Mercúrio aponta líderes do PCC e esquema que movimentou ao menos R$ 98 milhões em três anos

Redação Jornal de Brasília

29/01/2026 16h13

Promotoria denuncia 9 por esquema do PCC

Foto: Divulgação/ PF

TULIO KRUSE E ROGÉRIO PAGNAN
FOLHAPRESS

Nove pessoas foram denunciadas por um esquema de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e exploração ilegal de jogos de azar que beneficiaria o PCC (Primeiro Comando da Capital). Entre eles estão dois homens apontados como líderes da facção criminosa.

Os indícios que basearam a denúncia foram levantados a partir da Operação Falso Mercúrio, da Polícia Civil paulista, que levou ao bloqueio judicial de R$ 6 bilhões em dezembro, incluindo 49 imóveis e 257 veículos. A acusação foi apresentada na segunda-feira (26) pela Promotoria Especializada em Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital do MP-SP (Ministério Público de São Paulo).

Segundo a denúncia, os suspeitos usaram dezenas de empresas de fachada para esconder dinheiro do tráfico, da operação de caça-níqueis em Osasco, na região metropolitana de São Paulo, e de outros crimes. A investigação policial apontou que alguns suspeitos já responderam por estelionato e extorsão.
Uma análise de documentos encontrados com os suspeitos identificou que mais de R$ 98 milhões foram movimentados pelo grupo em três anos. Um relatório policial indica que o total movimentado pelo grupo seria muito maior.

Parte dos serviços de ocultação de patrimônio, oferecido por sócios de uma rede de lojas de veículos, envolvia o uso de carros de luxo sem a transferência formal da titularidade, segun.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, 66 veículos desapareceram das lojas às vésperas da deflagração da segunda fase da Falso Mercúrio. O dono da rede de lojas, Alessandro Rogério Momi Braga, e Manoel Sérgio Sanches (apontado como sócio oculto) se entregaram à polícia no dia seguinte à operação.
Israel Manoel de Souza, o Neném, e Alexandre Ferreira de Moraes, vulgo Rita, são apontados como líderes do esquema criminoso e do PCC, respectivamente.

A investigação do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) aponta que Neném é dono de máquinas de caça-níquel e que ele determinava a abertura de empresas de fachada por meio de laranjas, além de coordenar o fluxo de coleta de dinheiro da contravenção, repasse a intermediários que faziam a lavagem e pagamentos a beneficiários finais do esquema.

O depoimento de um suspeito denunciado, que admitiu ter atuado como laranja, mensagens extraídas de celulares e documentos encontrados nas operações de busca e apreensão serviram de prova contra ele.

Já Rita é apontado como líder da facção na região de Osasco. Segundo a polícia, ele seria responsável pela autorização e organização de pontos de venda de droga, mediação de conflitos internos, entre outras funções. Ele “fornece proteção criminosa e estabilidade territorial, viabilizando que Israel ‘Neném’ estabeleça e mantenha pontos de arrecadação”, segundo a denúncia.

A reportagem entrou em contato com as defesas de Braga, Sanches e Rita na noite de quarta-feira (28), mas não recebeu resposta até a publicação deste texto. Em ocasiões anteriores, advogados dos mesmos suspeitos preferiram não comentar o caso, afirmando que não tiveram acesso aos detalhes da investigação. A defesa de Israel Souza não foi localizada.

Braga é tratado na investigação como uma liderança no esquema de lavagem. A investigação identificou que ele movimentou ao menos R$ 17 milhões em pouco mais de dois anos, mas estima que esse valor seja apenas parte do total vinculado ao esquema.

Documentos apontam que o Grupo Key Car, do qual ele é dono, recebia pagamentos em espécie que vinha da operação ilegal de máquinas caça-níqueis. Depois de arrecadar valores de suspeitos apontados como “coletores” de dinheiro do crime, o núcleo de pessoas coordenado por Braga fazia repasses a contas bancárias de empresas laranjas ou dos próprios coletores –ou seja, devolviam o dinheiro “lavado”.

Mensagens encontradas em celulares apreendidos pela Polícia Civil mostram Braga orientando pessoalmente o fracionamento de pagamentos, uma técnica para que as transferências passem despercebidas dos órgãos de controle e para dificultar o rastreamento do dinheiro.

Já a acusação de tráfico de drogas pesa contra dois suspeitos que estão ligados a Neném. A análise nos celulares encontrou fotos de pó branco e pacotes em formato de tijolo sendo pesado em balanças de precisão, além de conversas que fazem alusão a tráfico de drogas.

Levantamento da Folha de S.Paulo aponta que empresas de dois supostos beneficiários finais do esquema firmaram dezenas de contratos com prefeituras do estado de São Paulo, no valor de ao menos R$ 522 milhões nos últimos quatro anos.

A Polícia Civil decidiu não indiciar, por ora, os dois suspeitos apontados como “beneficiários finais”. A investigação segue em andamento, segundo um relatório policial, há indícios de lavagem de dinheiro envolvendo ambos.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado