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Brasil

Profissionais denunciam interferência de Planos de Saúde e prejuízo a clientes

Arquivo Geral

24/09/2010 8h10

Nove entre dez médicos do Estado de São Paulo que têm ou tiveram algum relacionamento com operadoras de planos de saúde denunciaram interferência em sua autonomia profissional. A informação consta de levantamento feito pelo Datafolha a pedido da Associação Paulista de Medicina (APM). A pesquisa apontou ainda que 77% dos 403 profissionais entrevistados, entre 23 de junho e 18 de agosto deste ano, disseram que os planos de saúde pressionam para limitar o número de pedidos de exames feitos pelos médicos. Um terço acha que a interferência que mais afeta a autonomia é a recusa do pagamento para procedimentos ou medidas terapêuticas.

 

Além de limitar os exames, na opinião de cerca de 50% dos médicos, os convênios interferiram no tempo de internação dos pacientes, na prescrição de medicamentos de alto custo e no período de internação pré-operatório.

 

Segundo o presidente da APM, Jorge Curi, a pesquisa confirmou a grave ameaça no atendimento qualificado pelos planos de saúde. Ele disse que a associação está discutindo o assunto há anos com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e com as operadoras, mas não tem encontrado solução. “É lamentável que as pessoas acabem dispondo de um contingente financeiro importante para garantir uma tendimento mais abrangente para sua família e infelizmente não atinjam esse objetivo”.

 

Curi disse ainda que o baixo preço pago pelas consulta (R$ 3 a R$ 4) também prejudica o atendimento. “Rápido nunca é bom, porque para uma boa relação entre o médico e o paciente é preciso entendimento, perder tempo para ouvir e entender melhor o problema do paciente, de forma a auxiliar para se programar melhor o tratamento. Da forma atual está totalmente prejudicada a relação médico paciente”.

 

Segundo ele, é  necessária  revisão urgente da regulamentação dos planos de saúde. “Nós nos colocamos permanentemente abertos para negociar. Vamos levar isso ao Ministério Público Federal e pedimos providências urgentes da área legislativa e governamental do País.”

 

 

 

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