Nesta terça-feira (1º), comemora-se o Dia Mundial de Luta contra a Aids. Este ano, medicamentos lançados no Brasil passaram a combater o vírus HIV de forma diferente, o que trouxe novas perspectivas de tratamento. Apesar disso, especialistas afirmam que o mais importante ainda é prevenir, já que não há previsão de cura em curto prazo.
Os remédios comercializados no Brasil até 2008 atuavam nas fases de reprodução do vírus. Agora, a droga Maraviroc impede a entrada do HIV nas células do paciente e o Ralpegravir evita que o RNA do vírus se acople ao material genético.
“É um alento para quem já estava sem perspectiva com os tratamentos atuais”, comemora o professor do Departamento de Saúde Coletiva da UnB Ricardo Marins. Ele lembra, entretanto, que ainda não há previsão de descoberta da cura da doença. “Apesar dos avanços, não é bom viver sob tratamento. É difícil tomar remédios durante tantos anos”, completa.
O professor acredita que o Dia Mundial da Luta contra a Aids é importante para fazer uma reavaliação da forma de enfrentamento da epidemia. Segundo Marins estamos em uma segunda fase, porque já há uma população que não viu o começo da disseminação da doença, e a percepção de risco muda. “Quando uma geração vê um ídolo como Cazuza morrer de Aids, a preocupação com a prevenção é maior”, afirma. Por isso Marins defende que as campanhas de prevenção sejam mais adequadas à realidade.
A professora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Bioética (Nepeb) Erli Gonçalves acredita que é importante ter um dia para lembrar os riscos do HIV. Erli critica as campanhas de prevenção, que se concentram no carnaval, o que reforça o preconceito de que o sexo é uma coisa mundana. “Sexo é salutar, sexo é bom, mas tem que ser seguro”, explica.
DISCRIMINAÇÃO Com os avanços nos tratamentos, a luta que emerge com mais força agora é contra o preconceito. A coordenadora do projeto de extensão Com-Vivência, Eliane Seidl, explica que, para os soropositivos, a questão de como, quando e para quem contar o diagnóstico está sempre presente em função do medo de sofrer algum tipo de retaliação. “Isso, muitas vezes, tem impacto negativo, atrasa a busca por tratamento”, conta.
O Com-Vivência é um projeto de extensão do Instituto de Psicologia e do Departamento de Serviço Social. Presta atendimento psicológico e social a portadores do HIV e familiares desde 1996, atendendo a comunidade interna e externa.
Os portadores do HIV atendidos pelo projeto estão em tratamento e continuam exercendo suas atividades normalmente. “Não temos visto impactos negativos a ponto de a pessoa interromper seus projetos”, destaca Eliane Seidl. Ela afirma que apenas um dos pacientes relatou algum tipo de preconceito na universidade. Os demais não perceberam mudança de comportamento nas pessoas para quem contaram.