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Primeira curadora indígena pede demissão do Masp após veto a fotos do MST

O museu afirma ter recebido a relação desse material com pouco menos de três meses de antecedência da abertura da mostra

Por FolhaPress 17/05/2022 9h34

Carolina Moraes e João Perassolo
São Paulo, SP

A primeira curadora indígena num museu brasileiro, Sandra Benites, pediu demissão do Masp após o museu vetar um conjunto fotografias do Movimento Sem Terra. O material faria parte do núcleo que ela e Clarissa Diniz comandavam dentro da mostra “Histórias Brasileiras”, a maior exposição do Masp neste ano.

O museu afirma ter recebido a relação desse material com pouco menos de três meses de antecedência da abertura da mostra, prevista para julho, o que extrapola os prazos para a execução de procedimentos como a solicitação do empréstimo das obras e a cessão do uso de imagens. Também nega que a ação ​tenha se tratado de censura de conteúdo.

Na justificativa da saída do museu, Benites reforçou um descontentamento geral com a posição que ocupava, já que não se sentia convidada a integrar projetos curatoriais do espaço. “Histórias Brasileiras” seria o primeiro projeto assinado por ela após dois anos no cargo de curadora-adjunta.

Além disso, ela disse à instituição que sua presença no Masp parecia estar mais a serviço de uma imagem de um museu diverso do que um interesse em seu trabalho propriamente. Benites considerou desrespeitosa a maneira com que ela e Diniz foram tratadas na produção de “Histórias Brasileiras”.

Em comunicado sobre a saída de Benites, o Masp diz lamentar mas respeitar a decisão da curadora.

À reportagem, a curadora afirma que ainda não deve comentar o pedido de demissão em detalhes, mas ressalta que “entrou pelo mesmo motivo que saiu”. “Aceitei o convite para poder somar com o que já foi construído. Para mim não faz sentido que eu continue sem poder ampliar o debate.”

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Foi no começo deste mês que Benites e Clarissa Diniz, curadora convidada da instituição, informaram que cancelariam o núcleo denominado “Retomadas” após o veto da instituição a um conjunto de fotografias.

O museu explicou anteriormente que recebeu a relação desse material com pouco menos de três meses de antecedência da abertura da mostra, o que extrapola os prazos para a execução de procedimentos como a solicitação do empréstimo das obras e a cessão do uso de imagens.

O padrão do Masp é de quatro a seis meses, e essa informação constava no contrato das curadoras, dizem representantes do museu, acrescentando ainda que o prazo foi reiterado a elas numa reunião.

“No entanto, o museu conseguiu atender sim um dos pedidos das curadoras, de maneira excepcional, para incluir as obras pertencentes ao acervo do Movimento Sem Terra, um total de sete cartazes e documentos. O que não foi possível incluir foram seis fotografias de três fotógrafos. Embora esse material representasse o eixo central do núcleo, ele foi entregue ao museu fora do prazo”, acrescenta a instituição.

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As curadoras afirmam que não foram informadas sobre essa data máxima definida pela instituição. No email enviado aos artistas, as curadoras afirmaram que “apesar do cuidadoso trabalho realizado, para a nossa surpresa, o Masp não concordou com a integral inclusão da representação das ‘Retomadas’ pelo suposto descumprimento de um prazo que não nos foi informado pela produção ou pela curadoria do museu”.

Ambas se posicionaram também nas redes sociais após o caso se tornar público, reforçando que não foram informadas deste prazo.

“Histórias Brasileiras” é a maior mostra do Masp deste ano, e ocupará dois andares do museu com suas mais de 300 obras. A exposição conta com 12 curadores. O museu afirma que, dada a dimensão da mostra, é necessário mais rigidez e disciplina com relação a todas as instâncias e que os organizadores de todos os núcleos da mostra estavam cientes disso. Diz ainda que outros curadores também tiveram de cancelar empréstimos.

“Não se trata então de uma restrição em termos de conteúdo, mas sim única e exclusivamente de cronograma institucional”, afirma o museu.

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