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Pretexto para conversar sobre quadrinhos brasileiros

E em comemoração, a Galeria de Arte Oto Reifchneider e a Oto Livraria, em parceria com o blog Raio Laser – Quadrinhos Além, reuniram um acervo de quadrinhos nacionais e locais HQs para venda

Crédito: Oto Reifschneider

Por Amanda Karolyne
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Para além dos quadrinhos de heróis, o Dia do Quadrinho Nacional, comemorado no dia 30 de janeiro, é uma data para valorizar a produção nacional de HQ ‘S. O dia 30 celebra os autores e obras produzidas por brasileiros. E em comemoração ao Dia do Quadrinho Nacional, a Galeria de Arte Oto Reifchneider e a Oto Livraria, em parceria com o blog Raio Laser – Quadrinhos Além, reuniram um acervo de quadrinhos nacionais e locais HQs para venda especialmente no sábado, 29 de janeiro.

Pedro Brandt, organizador do evento, conta que a ideia é que seja um pretexto para conversar sobre quadrinhos, e o que tem de novidade no mercado. Vão ser montadas mesas à disposição com quadrinhos brasileiros e alguns internacionais. “É uma coisa bem informal, não vai ter palestra ou nada do tipo. É para as pessoas se encontrarem e conversarem sobre quadrinhos”, destaca. Ele frisa que o evento é para celebrar a produção nacional feita para vender no Brasil. “Porque a gente também tem muitos artistas que trabalham para o mercado internacional, não to falando por exemplo dos caras que trabalham para a editora Marvel, mas sim para os que são publicados aqui”.

Segundo Pedro, os quadrinhos, assim como qualquer manifestação cultural, são consumidos aqui com muita coisa do exterior sendo bem recebida. Então, ele acredita que muitas vezes as pessoas não conhecem a produção brasileira, e para ele, o objetivo deste dia é falar a respeito e conversar sobre, para valorizar a produção. “A oportunidade para se conhecer produção brasileira, muita gente está lendo quadrinhos mas não conhece nada de quadrinho brasileiro, daí o cara de repente quando vê está super fã de um autor brasileiro”, ressalta.

Brandt, faz questão de explicar que não se trata do dia nacional do quadrinho, e sim do dia do quadrinho nacional. É uma confusão comum que se faz, mas a data do dia 30 é um marco porque no dia 30 de janeiro de 1869, aconteceu a primeira publicação de um quadrinho brasileiro, “As Aventuras de Nhô Quim ou Impressões de Uma Viagem à Corte” de autoria de Angelo Agostini, publicada na revista Vida Fluminense. Angelo era uma grande personalidade da imprensa na época.

De acordo com Pedro, existem divergências quando se trata do começo dos quadrinhos no Brasil. “É uma discussão que não tem fim, quanto mais pesquisa mais encontra coisas análogas à quadrinhos de antes do que se tinha como referência. Mas o Angelo ficou conhecido como o autor da primeira HQ brasileira, pelo fato de ser uma personalidade importante da época, considerado como um marco, não só nacional mas um marco na produção de quadrinhos internacionalmente falando”, relata. Segundo ele, nos estudos internacionais a respeito de HQs, ele é um nome importante, e a data é por conta disso.

Com uma carreira no jornalismo, em que Pedro pegava essa paixão por quadrinhos para fazer matérias sobre, agora ele trabalha vendendo quadrinhos, e também tem o blog Raio Laser, que foi fundado por ele e um amigo, Ciro Marcondes, professor universitário, que lançou o primeiro livro chamado Zip, Quadrinhos e Cultura Pop. “Ainda que nosso alcance seja mais modesto em tempos de Youtube etc, nós somos uma referência para material escrito a respeito de quadrinhos”, afirma. O blog também conta com um podcast que recebe convidados para falar sobre o mundo das HQ’S. Estará presente também, Lima Neto, membro do blog, e antigo dono da kingdom comics, primeira loja especializada em quadrinho de Brasília, durou 22 anos e fechou a alguns anos. Ele lançou a primeira HQ individual dele chamada Lendas Inventadas, onde ele criou um folclore para várias regiões administrativas do DF.

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Para ele, tudo isso começou para celebrar o quadrinho brasileiro. “Começamos ano passado a fazer uma celebração bastante modesta sobre o dia do quadrinho nacional que foi criada nos anos 80”, conta ele. “A gente tem vivido ao longo dos últimos 20 anos, em especial a partir dos anos 2010, um momento muito interessante para as histórias produzidas no brasil”, ressalta. Segundo Brandt, de dez anos para cá, o mercado ficou aquecido e muito receptivo para o quadrinho brasileiro, com uma produção cada vez mais plural, com abordagens muito diferentes, quadrinhos mais simples, mais sofisticados, trabalhando todo tipo de temática, e com obras mais ambiciosas. “Coisas tanto de maneira amadora, quanto de maneira profissional”, conta. Ele cita que os quadrinhos têm estilos como mangá, europeu, super herói e outros.

Ele comenta que o acervo para o dia 29, é de muita variedade de quadrinhos, desde os mais em conta, até os mais caros. E para a curadoria, ele tentou pegar material de produção brasiliense, com quase meia dúzia de livros recentes. Cita o DF medieval, quadrinho de humor aqui de Brasília, com histórias como se a capital fosse um grande feudo, com um português arcaico misturado com gírias contemporâneas. Dentre as HQs, também está a de Lucas Marques, autor do Guará, Ritos de Passagem, que se passa no Guará, abordando a infância na região com o estilo de mangá. Também vão ter os novos trabalhos do Max Andrade, com estilo mangá. Este que vai produzir uma graphic novel do anjinho da turma da Mônica, sendo o primeiro artista de Brasília a participar do universo do Maurício de Souza.

Alguns dos quadrinhos à venda no dia 29 serão de autoria de Angeli, Laerte, Glauco, Adão Iturrusgarai, Fernando Gonsales, Marcatti, Marcello Quintanilha, Marcelo D’Salete, Mozart Couto, Mike Deodato Jr., Roger Cruz, Gabriel Góes, Rafael Coutinho, LTG, Ana Luiza Koehler, Cynthia B., Flavio Colin, Julio Shimamoto, Jayme Cortez, entre outros, novos e veteranos, além de publicações de autores internacionais, novas e antigas.

O evento será ao ar livre na área externa da Galeria, porque Pedro entende que é importante, em tempos de pandemia, que para se sentir mais à vontade, as pessoas possam circular num espaço mais tranquilo. Mas, para conhecer a Oto Livraria, os interessados podem fazer agendamento pelo Instagram do estabelecimento, ou por Whatsapp. A livraria com foco em livros de arte e quadrinhos, é localizada na mesma quadra da Galeria de Arte Oto Reifchneider, 302 Norte.

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Serviço

Dia do Quadrinho Nacional em Brasília

29 de janeiro de 2022 (sábado), das 10h às 18h, na área externa da Galeria de Arte Oto Reifchneider (302 Norte, bloco E loja 41 – virada para a residencial). Acesso livre. Informações: (61) 99906-3317 e (61) 98168-4293 ou [email protected]








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