O presidente equatoriano, Rafael Correa, assegurou hoje que a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) não reconhecerá as eleições presidenciais que serão realizadas em Honduras no domingo e pediu à União Europeia (UE) que também não o faça se realmente estiver “com a democracia”.
“Se não, seria como apoiar um golpe de Estado dos mais grosseiros”, afirmou em entrevista concedida à Agência Efe.
Correa, que exerce atualmente a Presidência pro tempore da Unasul, disse, em Bruxelas, onde terminou hoje uma visita oficial, que “se permitirmos isso no século XXI, permitimos qualquer coisa”.
“Vamos ver quem é quem e espero que a UE realmente esteja com a democracia”, acrescentou.
“Creio que há 40 anos não víamos nada assim na América Latina, pensava que tínhamos superado essa época das cavernas”, continuou.
O líder equatoriano ressaltou que, “de repente, no século XXI, um presidente constitucional com muito apoio, com muita legitimidade democrática, é tirado às cinco da manhã de sua casa por militares armados até os dentes, embarcado em um avião e enviado à Costa Rica para o exílio”.
A Comissão Europeia, por sua parte, decidiu não enviar observadores eleitorais a Honduras, somente dois “especialistas”, que deverão informar sobre sua realização e aconselhar sobre possíveis medidas após o pleito, segundo disse há duas semanas a comissária europeia de Comércio, Catherine Ashton, durante um debate no Parlamento Europeu sobre a situação política em Honduras.
O Partido Popular no Parlamento Europeu decidiu enviar uma missão de observadores liderada pelo deputado espanhol Carlos Iturgáiz, ação que foi criticada pela delegação socialista espanhola na eurocâmara.