O presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), approved brigadeiro José Carlos Pereira, disse hoje que somente a análise da caixa-preta do Airbus A320 da TAM que se chocou contra um terminal de cargas da própria empresa após uma tentativa mau-sucedida de pousar no Aeroporto Internacional de Congonhas (zona Sul de São Paulo) vai revelar as causas do acidente.
“O avião pousou normalmente, na velocidade correta e no ponto certo. Os controladores de vôo perceberam e as imagens mostram isso. Imediatamente após tocar a pista, alguma coisa aconteceu. Quero saber o que aconteceu que o avião voltou a acelerar”.
Segundo OPereira isso não acontece por milagre, mas sim porque o piloto empurrou a potência do motor. “Por que ele precisava arremeter? Só a caixa-preta vai dizer. Eu não vou me aventurar a dizer o que aconteceu dentro da cabine daquele avião”.
Segundo o brigadeiro, arremetidas são um procedimento “absolutamente normal” na aviação. Mesmo assim, Pereira diz que como o avião chegou a pousar e percorrer um extenso trecho da pista principal do aeroporto, o normal seria que ele tivesse desacelerado. “Evidente que alguma coisa fez com que aquele avião não desacelerasse”.
O brigadeiro fez um paralelo com um automóvel para explicar suas dúvidas. “O que leva um carro a não desacelerar em um terreno plano? Só se o motor estiver funcionando e o motorista mantiver a aceleração do carro. É a mesma coisa em um avião”, explicou, voltando a destacar que a questão é descobrir porque o piloto teria tentado arremeter.
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Ao ser entrevistado no saguão do aeroporto, em São Paulo, onde acompanha os trabalhos de investigação do acidente, Pereira afirmou que não se pronunciou antes por “razões institucionais”. Segundo ele, a pista principal de Congonhas permanecerá fechada até que os órgãos responsáveis por investigar as causas do acidente concluam a perícia do local. Segundo ele, as explicações terão de ser dadas pelas entidades que investigam o acidente. “Em aviação, tudo tem explicação”.
