Contrário às intervenções da Prefeitura do Rio de Janeiro que está transformando o Autódromo de Jacarepaguá em um complexo poliesportivo, o presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), Paulo Scaglione, confessou suas dúvidas quanto ao cumprimento da palavra do governo carioca no acordo feito para que as obras fossem realizadas. “Não acreditamos que a Prefeitura vai fazer (as obras prometidas)”, afirma o dirigente.
Em 2005, a CBA entrou na Justiça e obteve liminar interrompendo as obras para o Pan. O impasse foi resolvido após promessa da Prefeitura de reformar o autódromo depois dos Jogos, recuperando sua vocação para os esportes automobilísticos.
Segundo o presidente da RioUrbe, responsável pelos serviços de infra-estrutura no Rio de Janeiro, João Luis Reis da Silva, as reformas não comprometerão o que foi construído para o Pan e readequarão o circuito às exigências da Fórmula 1 e da Indy.
Mas Scaglione acha que tudo não passará de discurso. “Quase não tiveram dinheiro para erguer tudo, como vão arrumar dinheiro para construir o que destruíram?”, questiona. Em sua opinião, a forma como todo o processo foi encaminhado pelas autoridades responsáveis levou ao impasse.
Com o projeto do Pan-americano, a antiga pista de kart deu lugar a um parque aquático no qual serão realizadas provas de natação e saltos ornamentais. O traçado principal perdeu terreno para uma arena multiuso, que receberá jogos de basquete e apresentações de ginástica artística, e para um velódromo permanente.
“A gente não pode enxergar aquilo como uma utilização satisfatória”, reclama Scaglione, que não poupa nem mesmo seus iguais nas críticas. “Onde foi parar a moto quando nos manifestamos?”, diz, reclamando da falta de apoio da Confederação Brasileira de Motociclismo aos protestos da CBA. “Quando você assume uma posição de presidência não pode ter rabo preso com nada”, completa.
Segundo ele, o fato de Jacarepaguá estar aprovada pela Federação Internacional de Motociclismo para a MotoGP coloca por terra o argumento que a pista já não atendia mais sua função competitiva. “As exigências para moto são ainda maiores que para o automobilismo. Interlagos, por exemplo, não é aprovada na MotoGP”, completa, lembrando que a pista paulista é a única do país na categoria A (apta à Fórmula 1), mas que por características em seu traçado não podia receber provas de moto.
De qualquer maneira, Jacarepaguá poderá voltar a ouvir os roncos de motores nos próximos dias, pelo menos é o que garante Scaglione. “Não conseguimos conservar o traçado como um todo, mas uns 3.200m, 3.400m. E nos próximos 20 dias deveremos ter uma prova regional sendo disputada ali”.