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Brasil

Policias civis de São Paulo pretendem entregar documento a Lula relatando motivo da greve

Arquivo Geral

17/10/2008 0h00

Após reunião realizada hoje (17), price os policiais civis de São Paulo decidiram entregar um documento ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para explicar os problemas que os motivaram a entrar em greve no estado. A intenção dos grevistas é entregar o documento ao presidente amanhã (18), sales após a participação dele em evento na capital com a candidata à prefeitura Marta Suplicy. Também participaram da reunião, ask representantes de centrais sindicais.

Os grevistas também pretendem pedir uma audiência com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, para discutir a questão da greve, que já dura mais de um mês em todo o estado.

Ontem (16), policiais civis e militares entraram em confronto próximo ao Estádio do Morumbi, na zona sul de São Paulo. A intenção dos policiais civis era fazer uma passeata até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Entretanto, as ruas ao redor do Palácio foram bloqueadas pelos policiais militares, já que a área é considerada de segurança e é proibido fazer manifestações no local. Os manifestantes tentaram furar o bloqueio dos policiais militares e prosseguir com a passeata, mas foram contidos com bombas de gás lacrimogênio. Na confusão, os policiais trocaram tiros com balas de borracha e dezenas de pessoas ficaram feridas.

Hoje (17), o governador José Serra lamentou o confronto de ontem, mas disse que não há crise entre as Polícias Civil e Militar no estado. “Os comandos da polícia estão muito unidos tanto da militar quanto da civil e da científica. Os eventos de ontem não refletem o confronto entre as corporações como tal. Foi um conflito localizado, inclusive com manifestantes em número muito limitado: tem 35 mil policiais efetivos da Secretaria de Segurança e ontem não havia mais de mil”.

O governador criticou o fato de policiais civis terem participado da manifestação grevista armados. “Uma coisa é reivindicação. E outra é fazer reivindicação armada”, afirmou.

Serra voltou a dizer que o confronto ocorrido entre policiais civis e militares teve motivação política e que teria sido convocada pelo presidente da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da Silva. “O evento de ontem foi programado e proposto, inclusive como forma de organização, por um desses líderes, que é o Paulinho da Força Sindical que é, aliás, um deputado envolvido em escândalos que tem um processo de cassação em andamento e que, provavelmente, quer pôr uma cortina de fumaça em cima disso”, disse o governador.

Por telefone, o deputado Paulo Pereira da Silva respondeu às acusações feitas pelo governador, dizendo que Serra “está sendo intransigente”. “Ele não soube negociar com os policiais e resolveu pôr a culpa em outro”. Segundo Paulinho, a culpa pelo confronto é de Serra, “que paga o pior salário do Brasil”.

Paulinho também negou que a greve dos policiais tenha motivações políticas. “Não teve nenhum fundamento político, só salarial”. E disse que não convocou a passeata de ontem, que terminou em confronto entre os policiais. “Queria ter esse poder que ele [Serra] está me dando”.

O deputado também acusou o governador de São Paulo de ser o responsável “pelas armações” que o teriam colocado sob investigação na Operação Santa Tereza, da Polícia Federal. “Sempre desconfiei disso, mas agora ficou claro quem é o responsável por essas armações contra mim”.

Perguntado sobre a razão que levou as centrais sindicais a participarem da reunião de hoje com os policiais civis, o deputado respondeu somente que “todas as seis centrais estão dando apoio ao movimento, que é justo”.

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