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Brasil

Polícia prende dois últimos acusados de monitorar autoridades para o PCC

Em julho, o Ministério Público de São Paulo apresentou denúncia contra quatro suspeitos sob acusação de monitorar autoridades públicas

Redação Jornal de Brasília

16/08/2026 17h36

pcc

Foto: Divulgação/Polícia Civil de São Paulo

BÁRBARA SÁ
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Dois homens acusados de integrar uma célula do PCC (Primeiro Comando da Capital) foram presos no interior de São Paulo. Segundo a acusação, o grupo monitorava o promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público, e o coordenador Roberto Medina, responsável por unidades prisionais da região oeste do estado.

Victor Hugo da Silva e Adilson Audinir Oliveira Júnior eram os únicos dos quatro acusados que ainda estavam em liberdade. A Folha procurou o advogado que já representou Victor Hugo no caso, mas não obteve resposta até a publicação deste texto. A reportagem também busca contato da defesa de Adilson.

Em julho, o Ministério Público de São Paulo apresentou denúncia contra quatro suspeitos sob acusação de monitorar autoridades públicas e dar apoio a planos da facção criminosa para cometer assassinatos.

Também foram denunciados Wellison Rodrigo Bispo de Almeida e Sérgio Garcia da Silva. Todos respondem por organização criminosa. À época da denúncia, um advogado que defendeu Wellison num caso de suspeita de tráfico de drogas não quis comentar o caso. A reportagem não identificou a defesa de Sérgio Silva.

As prisões ocorreram na sexta-feira (14), em Presidente Prudente e Álvares Machado, no oeste paulista, durante a Operação Recon. A SSP (Secretaria da Segurança Pública do estado) não informou qual deles foi localizado em cada cidade.

A Promotoria havia pedido a prisão preventiva (sem prazo) dos quatro e a inclusão deles no RDD (regime disciplinar diferenciado), que prevê regras mais rígidas de isolamento e restrição de contato com outros presos.

A investigação aponta que a célula monitorava Gakiya, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), e Medina, alvos de ordens de assassinato do PCC há mais de dez anos. No jargão da facção, estão “decretados”.

Na denúncia, o Ministério Público afirma haver “um incremento na atuação da facção em detrimento dos agentes públicos, gerando risco iminente a suas vidas”.

Os promotores listaram nove processos instaurados no Tribunal de Justiça desde 2019 que mencionam ameaças contra autoridades, informações sobre geolocalização de pessoas monitoradas e ordens de assassinato.

Como funcionava o monitoramento

A investigação que levou à identificação do grupo começou após a prisão em flagrante de Victor Hugo, conhecido como VH, sob suspeita de tráfico de drogas, em julho de 2025. A quebra de sigilo do celular dele levou a polícia a encontrar indícios de que integrantes da facção levantavam informações sobre a rotina das autoridades e de seus familiares.

Dados de geolocalização do aparelho apontaram que VH esteve nas imediações da penitenciária e do Poupatempo de Presidente Venceslau, locais de trabalho de Medina e da mulher dele.

Conforme a acusação, VH teria levantado trajetos entre o trabalho e a residência do casal, modelos e placas de veículos e produzido fotos e vídeos da rotina dos dois.

As informações seriam repassadas a Wellison, que vivia em uma chácara em Presidente Bernardes próxima à rota utilizada por Medina para chegar ao trabalho.

A análise do celular do suspeito indicou que ele armazenou informações enviadas por VH e fez pesquisas sobre o coordenador e seus familiares nas redes sociais.

Sérgio Silva, por sua vez, seria responsável pelo monitoramento de Gakiya. Em um dos celulares apreendidos com ele, a polícia encontrou imagens de mapas com a localização da sede do Ministério Público em Presidente Prudente, onde o promotor trabalha.

A investigação também apontou que ele esteve em endereços próximos ao trajeto diário de Gakiya.
Adilson é apontado pela acusação como colaborador direto de Silva. Segundo a denúncia, ele participou de comunicações reservadas e teria solicitado a exclusão de conversas e auxiliado na ocultação ou destruição de vestígios digitais.

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