CARLOS VILLELA
FOLHAPRESS
A Polícia Civil de Santa Catarina investiga o caso da agressão que levou à morte do cão Orelha, um mascote comunitário que vivia na Praia Brava, em Florianópolis.
Nesta segunda-feira (26), foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas casas de quatro adolescentes considerados suspeitos pelo ato.
O animal, que tinha cerca de 10 anos e era cuid ado pela comunidade, foi agredido a pauladas no começo do ano e encontrado ferido por moradores no dia 16 de janeiro. Ele chegou a ser levado para atendimento veterinário, mas, devido à gravidade das lesões, precisou passar por eutanásia.
O caso ganhou popularidade nacional ao ser compartilhado por influencers, ativistas e artistas como Ana Castela, Alexia Dechamps e Paula Burlamaqui.
Além dos maus-tratos, é investigada a suspeita de coação de uma testemunha pelo pai de um dos adolescentes, que seria policial civil.
Segundo o delegado-geral da PC-SC, Ulisses Gabriel, caso fique comprovado que a coação foi praticada por uma pessoa maior de idade, poderá ser solicitada a prisão preventiva.
“A justiça será feita independentemente de quem sejam os autores que praticaram essa triste e lamentável ação criminosa contra esses dois animais”, disse o delegado.
Os adolescentes também são suspeitos de tentar afogar outro cachorro no mar. O animal, que conseguiu escapar, foi adotado pelo delegado-geral da PC-SC na quarta-feira (20) e recebeu o nome de Caramelo.
A investigação é conduzida pela Delegacia de Proteção Animal e pelo Departamento de Investigação Criminal da PC.
Neste domingo (25), o governador Jorginho Mello (PL) disse que foi informado do caso no dia 16 e determinou uma investigação imediata. “As provas já estão no processo e me embrulharam o estômago”, disse Jorginho pelas redes sociais.
Segundo o governador, a juíza responsável pelo caso se declarou impedida e outro juiz foi nomeado para decidir sobre os pedidos.
Na semana passada, a PC-SC concluiu as análises das imagens de câmeras de segurança já obtidas e colheu depoimentos com apoio da DPA e da Deacle (Delegacia Especializada de Adolescentes em Conflito com a Lei). O caso também é acompanhado pelo Ministério Público de Santa Catarina.
Caso comoveu comunidade da Praia Brava
A comunidade da Praia Brava, área localizada no norte da ilha de Florianópolis e conhecida pela procura turística e por atividades de surfe, fez um protesto no dia 17 e outro no último sábado (24) pedindo justiça.
A associação de moradores do local publicou uma nota lamentando a morte do animal.
“Orelha fazia parte do cotidiano do bairro há muitos anos e era cuidado de forma espontânea por pessoas da comunidade, tornando-se um símbolo simples, porém afetivo, da convivência e da relação de cuidado que muitos mantêm com o espaço e com os animais que ali vivem”, disse o texto.
Uma página foi criada no Instagram para compartilhar informações sobre o caso e já conta com mais de 47 mil seguidores.