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Polícia faz operação no Jacarezinho oito meses após ação mais letal do RJ

Segundo a PM, comunidades do entorno, como Manguinhos, Bandeira II e Conjunto Morar Carioca, também são ocupadas

Por FolhaPress 19/01/2022 9h07
Enterro do policial morto durante ação da Polícia Militar no Jacarezinho. Foto: CARL DE SOUZA / AFP

Cristina Camargo

Dezenas de policiais estão no Jacarezinho, na zona norte do Rio de Janeiro, no início da manhã desta quarta-feira (19), para o que a Polícia Militar chama de “retomada de território” pelo governo do estado. Segundo a PM, comunidades do entorno, como Manguinhos, Bandeira II e Conjunto Morar Carioca, também são ocupadas.

“Damos início a um grande processo de transformação das comunidades do estado do Rio. Foram meses elaborando um programa que mude a vida da população levando dignidade e oportunidade. As operações de hoje são apenas o começo dessa mudança que vai muito além da segurança”, afirmou o governador Cláudio Castro (PL) no início da manhã.

Ele disse que dará detalhes sobre os projetos no final de semana. Segundo o governador, eles serão iniciados em duas comunidades que servirão de modelo para outros lugares.

Moradores afirmam que o Jacarezinho foi cercado por policiais do Bope no início da madrugada, o que provocou tensão. “Estamos recebendo relatos de moradores informando que o Bope está cercando a favela e executará a ocupação do território”, disse o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ) no Twitter. O parlamentar nasceu na comunidade e afirma ter família e amigos no local. “Da última vez que a polícia (civil) entrou no Jacarezinho, em maio do ano passado, deixou para trás 29 mortos, muitas pessoas, inclusive crianças, traumatizadas e cenas chocantes de truculência”.

A operação policial citada pelo deputado contou com cerca de 200 policiais a pé, em blindados e em dois helicópteros. Foi considerada a operação mais letal da história do Rio de Janeiro. Terminou com baleados em 13 pontos diferentes em um raio de cerca de 500 metros, sendo ao menos 5 deles casas, de acordo com os registros de ocorrência feitos pelos agentes.

Na ocasião, os policiais disseram que revidaram disparos de traficantes, e a Polícia Civil divulgou as fichas criminais. Os moradores, no entanto, relataram horas de terror com rastros de sangue e corpos pelas vielas, alegando que parte das vítimas foi morta mesmo após se render.

Nesta quarta, a deputada estadual Mônica Francisco (PSOL-RJ) também recebeu relatos de moradores sobre o cerco da PM. Nas redes sociais, ela questionou se há acompanhamento da ação por parte do Ministério Público.

Imagens divulgadas pela PM mostram homens do Grupo de Intervenções Táticas nas comunidades de Manguinhos e Bandeira II.








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