CATARINA SCORTECCI
FOLHAPRESS
A Delegacia de Campina Grande do Sul (PR) concluiu nesta quinta-feira (8) o inquérito aberto para apurar o desaparecimento de Roberto Farias Tomaz no pico Paraná e defendeu o arquivamento do caso.
Após quase cinco dias de buscas, Roberto conseguiu sair da mata e pedir ajuda em uma fazenda de Antonina.
Roberto, 19, subiu a montanha no dia 31 de dezembro com uma amiga, Thayane Smith Moraes, da mesma idade. No dia 1º, quando descia o pico com ela e com outros trilheiros que eles encontraram no trajeto, Roberto ficou para trás, errou o caminho, e se perdeu do grupo.
“Após diversas diligências, análise de dados, análises de informações extraídas de telefones celulares, tanto da vítima quanto de pessoas envolvidas, a conclusão que chegamos é que não houve crime, não houve nenhum tipo de infração penal”, afirmou o delegado Glaison Lima, da Delegacia de Campina Grande do Sul.
Segundo o investigador, também não houve omissão de socorro. “De acordo com o que foi apurado, Roberto teria passado um pouco mal na subida da trilha, e não na descida. Na descida, ele estaria bem e não teria apresentado nenhum sintoma que precisasse aí de algum tipo de socorro. Roberto teria ficado para trás e teria pegado uma trilha errada e, por essa razão, ele teria desaparecido”, continua ele.
Alvo de críticas nas redes sociais por ter deixado o amigo para trás durante a caminhada, Thayane disse à imprensa que estava arrependida por ter quebrado a regra do “vai junto e volta junto”. “Se eu não tivesse deixado ele, não tinha acontecido isso. Eu fui irresponsável em relação a isso”, afirmou ela.
Em entrevista à Folha nesta terça-feira (6), Roberto afirmou que não estava chateado com a amiga, mas que “realmente é algo que não deveria ser feito”.
“Eu subi o pico pela manhã, tomei iogurte, e ele acabou fermentando no estômago. Acabei vomitando, passando mal. Aí eu estava um pouco mais lento durante as caminhadas. Quando eu e ela estávamos descendo o pico juntos, passou um grupo de pessoas na nossa frente. Aí ela começou a seguir o percurso com eles. Eu fiquei atrás, por último, porque eu estava indo no meu tempo, devagarzinho, para não me esforçar muito”, explicou ele.
O celular dele não estava funcionando e, por isso, tinha sido deixado em um dos acampamentos da montanha que servem de base para os trilheiros.
O registro do desaparecimento às autoridades policiais havia sido feito pela família de Roberto logo após o início das buscas pelos bombeiros.
O relatório das investigações será agora encaminhado ao Judiciário, com a recomendação pelo arquivamento.
As buscas por Roberto mobilizaram mais de 100 bombeiros militares e quase 300 voluntários. Mas ele conseguiu sair da mata sozinho, se guiando pelo rio, até chegar a uma fazenda em Antonina, onde conseguiu ligar para o celular da irmã Renata.
Ele foi imediatamente levado para um hospital na cidade. Os médicos apontaram sinais de desidratação leve, hematomas e assaduras. Ele teve alta no início da noite de terça-feira (6). Ao chegar em casa, em Pinhais, na região de Curitiba, foi recebido com festa por familiares e amigos.