Cerca de 35 municípios do Piauí já foram atingidos pelas enchentes provocadas pelas fortes chuvas no Nordeste. Ao todo, approved 11.950 famílias em todo o estado estão desalojadas. A situação é descrita pelo secretário de Defesa Civil do estado do Piauí, Fernando Monteiro, como “período de muita gravidade”.
“São famílias que tiveram que deixar suas residências e hoje estão abrigadas em logradouros públicos ou em residências de parentes e amigos”, disse hoje (8) em entrevista à Rádio Nacional.
Monteiro destaca que até mesmo a capital do estado, Teresina – cidade cortada pelo Rio Parnaíba e por seu afluente, o Rio Poti – enfrenta sérios problemas com as enchentes. Municípios menores como Barras, Campo Maior e Esperantina também sofrem com as inundações.
Segundo ele, o governo do Piauí, por meio da Secretaria Estadual de Defesa Civil, aposta em um trabalho integrado com o Corpo de Bombeiros, com a Secretaria de Assistência Social e com a Secretaria de Saúde no atendimento às vítimas.
Monteiro afirma que há “expectativa” de que recursos do governo federal sejam encaminhados para o estado, já que o governador do Piauí, Wellington Dias, esteve reunido em companhia de outros governadores nordestinos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante toda a manhã de ontem (7).
Entre os assuntos discutidos estava o crédito extraordinário de R$ 540 milhões – autorizado por Lula por meio de medida provisória para atender os estados castigados pelas chuvas.
“Para que seja dada não só uma assistência emergencial como também uma recuperação do desastre com a construção de casas, de estradas e de logradouros públicos danificados pelas enchentes. Para que, amanhã, saia da capital uma verdadeira operação de guerra, levando o Corpo de Bombeiros, técnicos da Secretaria de Saúde, médicos, medicamentos, cestas de alimentos, cobertores e toda essa assistência integral.”
Uma das medidas já implantadas pelo governo no estado é o Programa Família Cidadã, que prevê o pagamento de um benefício no valor de R$ 150 por mês para as famílias que receberem em suas casas pessoas desabrigadas pelas chuvas.
“Quando temos muitas famílias reunidas, isso cria um ambiente propício para as doenças. Se essas famílias estiverem em residências [e não em logradouros públicos] fica mais fácil a assistência nesse momento.”
Monteiro avalia que o “desastre” provocado pelas enchentes no Piauí não será superado em um período inferior a três meses. Ele reclama ainda das dificuldades enfrentadas pelo próprio governo federal para a liberação de verbas.
“Se conseguirmos driblar essa burocracia na hora de uma emergência, porque emergência é emergência, se conseguirmos receber esses recursos, haveremos de tocar a nossa vida e resolver nossos problemas.”
Em Marabá (PA), o aumento do nível dos Rios Tocantins e Itacaúnas já desabrigou cerca de 700 famílias. No Ceará, as chuvas que atingem a região já deixou centenas de milhares de famílias desabrigadas e casas destruídas, de acordo com o governador Cid Gomes.
Ontem (7), o secretário nacional de Defesa Civil, Roberto Guimarães, afirmou que a destinação de verbas para as regiões atingidas pelas chuvas deve ser decidida ainda esta semana.