Menu
Brasil

PF prende deputado estadual eleito Márcio Canella e ex-chefe de Polícia Civil do RJ

Canella foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio, com 197 mil votos. Seu nome chegou a ser indicado para o Senado por Flávio Bolsonaro (PL), candidato a presidente da República

Redação Jornal de Brasília

15/10/2026 9h27

ex chefe de polícia civil do rj

Fotos: Alerj e Reprodução

JOSÉ MARQUES E BRUNA FANTTI
BRASÍLIA, DF, E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)

Operação da Polícia Federal contra lavagem de dinheiro em postos de combustíveis prendeu nesta quinta-feira (15) o deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo (RJ) Marcio Canella (União Brasil-RJ) e o delegado Marcus Amim, que já ocupou os cargos de ex-secretário da Polícia Civil do Rio e ex-presidente do Detran do estado.

Canella foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio, com 197 mil votos. Seu nome chegou a ser indicado para o Senado por Flávio Bolsonaro (PL), candidato a presidente da República.

A defesa de Canella afirmou que não teve acesso à decisão.

Também foram presos na operação os policiais civis Cristiano Gaspar Fernandes, Giovanne Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Junior e Pablo Juquiá Félix Ferreira, conhecido como Pablo Russo

A reportagem busca a defesa dos demais presos. Procurada por email na manhã desta quinta, a Polícia Civil do RJ ainda não se manifestou a respeito da operação.

A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e é a oitava fase da Operação Unha e Carne, que já havia prendido Canella e Amim antes.

Segundo a PF, a operação foi o tema da reunião da cúpula do órgão com Moraes, no último dia 6, fora de agendas oficiais e que causou desgastes internos no Supremo.

São cumpridos outros quatro mandados de prisão e 16 de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo.

“O esquema movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme Relatório de Inteligência Financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras)”, diz a PF, em nota.

“Além do crime de organização criminosa armada, os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações.”

Canella e Amim haviam sido presos, também em operação autorizada por Moraes, em 7 de julho. Na ocasião, Canella foi preso em flagrante após a PF ter encontrado um fuzil calibre .556 dentro de seu veículo.

Na ocasião, Canella negou ser o dono do fuzil que fora encontrado em seu carro. Solto em 10 de julho, os advogados Pierpaolo Cruz Bottini, Sheila Lustosa e Davi Lefer disseram que a prisão não se sustentava, pois a arma era legalizada e registrada em nome do policial militar que fazia a segurança do então pré-candidato ao Senado, e a documentação foi entregue ao Supremo.

Como a Folha de S.Paulo mostrou, Canella nomeou, em sua gestão, dois condenados por práticas de milícia como secretários municipais de Belford Roxo, cidade da Baixada Fluminense.

Amim foi nomeado em outubro de 2023 como chefe de Polícia Civil após pressão de deputados estaduais sobre o ex-governador Cláudio Castro (PL). Ele substituiu o delegado José Renato Torres, que estava havia um mês no cargo e resistiu a indicações feitas pelos membros da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

Ele foi exonerado em setembro de 2024, dando lugar ao delegado Felipe Curi. Amim ganhou logo em seguida o cargo de coordenador de segurança na Alerj, à época sob comando de Rodrigo Bacellar (PL), atualmente preso.

Amim também tinha relações políticas com Canella. O ex-prefeito, quando exercia mandato de deputado estadual, o condecorou com a medalha Tiradentes, principal comenda da Alerj.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado